quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL

A todos os que por aqui passaram e seu perfume me deixaram,
A todos que encaram a amizade sincera e a repartem sem medo
A todos a quem os olhos brilham de saudade quando nasce nova estrela
A todos que sorriem de paz e tocam de amor todos os corações

Recebam um Natal coberto de alegrias ternas e doces
e um Ano Novo de esperança carregada de sonhos azuis

sfsousa/olharomar

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Para a minha tia Rosalina - 08 Dez 2010



Neste dia o sussurrar dos meus sentimentos pararam de dor
o vento rugia tocando os cabelos,
apertando de vazio os corações,
a brisa seca e fria rasga o ar com saudade
desligando as vontades por momentos,
amadurecendo todas as emoções

Abatem-se as vontades nesta hora da partida,
as forças e os sentimentos fogem de nós
e já não nos pertencem,
voam com quem amamos,
passeiam entre nós as lembranças queridas
mas sentimo-nos perdidos…hoje

o amanhecer chegará com novo dia
sem o brilho rasgado das gargalhadas
que ainda ecoam nos meus ouvidos
sem o olhar quente e doce
desta minha tia
que sempre me reservou um lugar
bem perto do seu coração
como seu filho fosse

Terá seu lugar entre a estrela mais brilhante e terna
estrela que por si sempre esperou,
esse amor de vida,
intenso e verdadeiro,
esse aconchego compreendido e amante.

Deixas-nos sedentos de saudade
felizes de te ter acompanhado na partilha da vida,
da tua dádiva sempre desinteressada
e dessa alegria que por cá fica…sempre
neste lugar que é teu
na nossa memória que é tua

 Todos os dias morrerão sem te ver
a distância é vastidão nesta memoria
que nos escapa
o coração atento à vida
e a gente a sentindo,
ouvindo o mundo
apanhando o seu jeito
com metade inteira de mim
chorando agora e sempre de saudade


sfsousa/olharomar

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

...vida



O pestanejar da vida poderá percorrer os nossos olhos,
mesmo assim, o futuro estará à nossa frente
e soltará naturalmente seu brilho e suas novas estrelas

Os amigos poderão desejar algo mais que a felicidade que nos une,
mas ela já percorre nossos corpos, transparece nos nossos olhos e sorrisos,
está aí nessa alegria que a todos contagia.

A felicidade é a vida
Vivei-a serenamente,
Partilhai-a com todos,
soltai o amor,
abri os corações
e o futuro será horizonte à nossa espera,
e nada, mesmo nada,
nos impedirá de sermos felizes

sfsousa/olharomar
foto do meu jardim

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

na vida.......


Nas breves despedidas o amor poderá desligar-se das almas por momentos,
mas estará sempre latente nos nossos corações,
trancando as ausências com carinho

sfsousa/olharomar
foto de Antonio Cravo

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

na vida......




O medo do desconhecido poderá afastar-nos da comunhão de pensamentos,
mas será a aprendizagem dos nossos íntimos e anseios
que guiará a nossa viagem

sfsousa/olharomar
foto de Diana Cretu

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Na vida .....



O medo poderá aparecer e o frio arrepiar,
mas ao lado, o braço protector enlaçando o corpo macio e quente,
nos dará a confiança necessária.

sfsousa/olharomar
foto de António Cravo 

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

na vida....




A vida poderá pregar-nos partidas, mas o acordar da manhã seguinte
com estrelas cintilantes da noite ainda brilhando nas almofadas,
nos dará a recompensa desejada

sfsousa/olharomar
foto de José paulo andrade

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

na vida...



Na vida poderá haver dificuldades,
mas a sua ultrapassagem tornará a partilha mais aberta 
e os afectos mais ternos e doces

sfsousa/olharomar
foto de josé paulo andrade 

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

sonhos distantes (3)


Em desalento revejo minhas mãos
e nelas me maltrato e me penitencio
essas mãos que repartem este meu cio
desse amor fugidio, dilacerado

mas esse sonho repetido
iluminado
feito de sinais ardentes
não sei se teu será
é amor delicado
em fantasia realizado
é eternamente meu
em sonhos...regressará

Sfsousa/olharomar

domingo, 17 de outubro de 2010

sonhos distantes(2)



Em ausências me multiplico
nesses momentos
ao sonho arrancado,
me aproximo desse sonho
que quase toco
mas noutro sonho se desfaz
… em fogo

Sfsousa/olharomar

foto de Diana Cretu

terça-feira, 12 de outubro de 2010

sonhos distantes (1)


Vejo teu corpo em sonhos distantes
e desse céu me aproximo
vejo teus sinais de vontade
ardendo,
em suspiros de fogo te afago,
neste sonho que em fumo se desfaz
crescendo

sfsousa/olharomar
foto de: ubailmaycryub

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

melodias


Luzes brilhantes
no regaço deste jazz que solta melodias,
o saxofone de encontro ao pensamento

o amor a voar
agarra os desejos da noite e da boemia,

desfaz tabus e medos,
solta sua voz rouca
no doce calor que nos atropela

Sfsousa/olharomar
foto de Antonio Cravo

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

nuvens brancas de sedução


Os pássaros sussurram
seus cantares de desejo abraçados ao meu corpo
e no final da tarde vermelha,
violenta de quente e suor,
o ninho de amor leve e fresco
esvoaça o pensamento
em nuvens brancas de sedução

sfsousa/olharomar

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

...noite aconchegada


A noite é densa e aconchegada
como essa brisa que se soltou
quando abrimos os braços
entregamos o coração à lua
e a carne ao silêncio

amamos sem distâncias,
riso rasgado na boca
e na cidade ao longe,
as luzes brilhando,
gemem de prazer até que a noite acabe

sfsousa/olharomar

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

...sedução



a planície seca e sedutora,
errante e perdida no fundo dos nossos olhos,
espera pela noite e por nós,

mergulhamos nesta água que não castiga o corpo,
mas penetra e roça,
roça e define nossos corpos quentes da jornada
fazendo amor percorrendo nossos seios,
beijando nossas bocas,


nadamos…voamos
como os pássaros da planície,
voltando a casa pela tarde
sabendo que o amor ainda nos espera

sfsousa/0lharomar

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Alentejo..final de tarde




Mais uma chegada aportando o escurecer,
as luzes apagam seu brilho
e o silêncio é mais silêncio,

deitamo-nos à volta da piscina,
admirando a serenidade da água,
o voar dos pássaros em correrias de fim de tarde,

a brisa, sempre essa brisa seca e quente,
aconchegante por vezes
violenta quando quer mostrar ao seu vento quem define sua loucura,

sfsousa/olharomar

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Alentejo...renascer



Do ventre da terra seca e morta,
abrem-se gretas ressequidas com o suor dos corpos
que aqui largaram seu sabor e sua vida

com violência de espadas dirigem seu grito ao sol,
abrindo brechas e disparando em direcção ao céu,
são braços vazios,
secos de vida na terra que os venceram,

mas na extremidade das mortes,
surgem vidas renascidas
poisos de novas vidas que virão,
sempre,
repetidamente,
procurando nesta lonjura bravia e seca,
o descanso sereno da vida
e o seu eterno acordar

sfsousa/olharomar

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Alentejo...noite escura

É noite escura,
o céu à minha frente
desfila toda a sua sensualidade
nesta noite que para nós ainda não despertou

sigo as constelações que mais perto nos cercam,
 a ursa menor me seduzindo
e tantas outras me cercando,
a estrela polar enviando seu brilho e  luz
pestanejando sua sensualidade e cor
nos deixa arrefecer com este vento
que a planície rasga de amor,
nos trespassando na noite
com uma aragem leve e fresca
que o dia não permite

sfsousa/olharomar

domingo, 22 de agosto de 2010

Alentejo...sol vermelho


O ar morno corre na noite e na alma
serpenteia entre sobreiros despidos da sua virtude,
nus,
de cintura seca e imagens de sol vermelho

A lua esconde-se no fundo negro
onde brilham estrelas de intensidades distintas,
estrelas com a cabeça desperta
outras no silêncio inatingível da imaginação,
voam para nós
marcham livremente nesse céu infinito
onde nos atrevemos sempre a sonhar
a brisa toca-me morna de lampejos
sobre o meu corpo quente da noite
e a minha boca ainda vazia de beijos,

sfsousa/olharomar

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Alentejo...até amanhecer



As portas marcadas das entradas dos apartamentos
enrouquecem os nossos corpos doridos
que se deixaram levar na noite e nas estrelas
e amaram bravamente até esse infinito que nunca se alcança,
fazendo amor até amanhecer

sfsousa/olharomar

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Alentejo que o vento amacia


O silêncio continua…
como pode este silêncio viver
…oiço vozes das crianças dos vizinhos,
que agora despertaram para o dia.

Continuamos debaixo do toldo verde
que o vento amacia,
levantando e descendo
como se respirasse docemente
emprestando um pouco de sombra
nos refugiando dos raios impressionantes do sol
que continuam a tentar trespassar defesas
iluminando todo o nosso corpo com a sua claridade estonteante
e as palavras por muito simples que sejam
neste universo imenso da planície não conseguem dizer nada
só o silêncio
...que o vento amacia

sfsousa/olharomar

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Alentejo...




O calor aperta
oiço musica, escrevendo 
a quietude transporta meus desígnios da escrita
a musicalidade entra em meus ouvidos
e me obriga a escrever
 incentivando a não deixar os dedos descansar
este silêncio pesado nos remete ao nosso mais profundo intimo
reflectindo nas estrelas
que a noite há-de trazer,
voando nos seus sons e desejos reprimidos

sfsousa/olharomar

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Alentejo...




Existe um silêncio que o voar dum pássaro
por um ou outro momento quebra,
mas recolhendo à sua árvore e à sua sombra,
o silêncio penetra de novo
e nos leva a descansar o espírito
para lá do esquecimento

sfsousa/olharomar

domingo, 15 de agosto de 2010

Alentejo - um dia mais



Depois da caminhada
uma vista sobre a piscina,
vazia de gente, e nós dois,
só nós dois,
cúmplices deste descanso,
à sombra,
em frente à piscina que reflecte  ao sol
sua água límpida e transparente
e quando a visão se levanta,
a pradaria com alguns sobreiros
emprestando sua sombra à planicie seca e sem vegetação,
nos remete para outros lugares
de silêncios indómitos
convidando o pensamento a divagar
e a esquecer que o mal existe

sfsousa/olharomar

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Monte dos Arneiros - uns dias de descanso em pleno Alentejo





Monte dos arneiros – chegada a este monte alentejano, típico e rural para uns dias de férias e descanso com a minha Delfina, que sempre acumula este sossego e mo empresta na hora de retemperar forças e enfrentar nosso destino.

A noite está estrelada em céu negro,
miríade de estrelas nos acompanhando,
pintadas no firmamento,
presas aos nossos olhares
que fugiam dos corpos,

deitados nesta noite escura,
estendidos ao longo desta piscina
sensual,
debruçamos corpos e suores
roubados ao dia
fortalecendo o amor
é silêncio em melodia
que nos acompanha na noite
e seca de desejo a planície

sfsousa/olharomar

domingo, 18 de julho de 2010

esse corpo...


esse corpo
que as cores liberta
num belo arco-íris
de nuvem anunciada
vai chegando
nesses sons profundos
de corpo que baloiça
no compasso do vento,
transportando
tua vontade correndo
 juntando
teu sossego ao meu

Sfsousa/olharomar

terça-feira, 6 de julho de 2010

Foz


Quis sentir no corpo o poder das brisas e das marés, tropecei na foz do douro, eram cerca das 14:15 dum qualquer dia de verão.

O vento tocando as águas refreia a vontade do rio entrar no mar e parece que vai recuando sem a certeza do seu beijo ter tocado as águas verdes e salgadas.

Parei nesta avenida da Foz, poiso de quem quer não sentir, não pensar.
Olho as pessoas passando, a pé, de bicicleta, deixando o corpo voar e sentir esta maresia que sempre nos desflora, trazendo seu destino no vento.

Nesta beira rio, aproveito o silêncio das águas calmas e brilhantes, uma estatua ao fundo de asas recolhidas nos faz sentir porque não levantamos voo quando a dor nos abraça.
Os barcos estão refugiados noutro cais, do outro lado do rio e sigo a marcha cadenciada de alguém que passa por mim, em direcção à foz, até que não o consigo enxergar.

Os minutos passam, espero uma chamada que me acorde para a realidade e desbloqueie os sentidos.

Aqui faz calor, as gaivotas pairam sem esforço sobre o leito do rio e mo emprestam, como se ele fosse só meu e eu o tentasse agarrar na ilusão de poder colher os seus amores, as suas vidas desacompanhadas e enviá-los com esperança até à foz.

Paira uma sonolência que me obriga a fechar os olhos e a reviver o passado, sinto o corpo e a alma abertas, esperando que alguém me toque e me faça sentir, acordando dessa sensibilidade que nos imobiliza.

A praia ali tão perto e eu imóvel, sem conseguir lá chegar, é o vento que  não me deixa entrar no seu mar e me devolve ao rio, em ondas serenas e doces de marés adormecidas.

Serafim Sousa/olharomar