sexta-feira, 13 de novembro de 2009

e assim ...




Nas vozes existentes nas noites
que serenamente atravessamos
sinto a magia dos teus passos
e ao teu corpo envolto em chamas de desejo,
me declaro,

rasgo os bloqueios que tentam segurar meu prazer
e entro na doce boca do teu covil
entrelaço prazer e delírio em explosão
deixando amarras para trás

no teu corpo sinuoso retalho nosso prazer
para que dure toda a vida,
o suor escorrendo pelo teu corpo brilhante,

os teus braços dançando desgarrados em mim
me desenterram gritos há muito acomodados, esquecidos
e assim... vivo estou eu.

Sfsousa/olharomar

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Escuto teu corpo

Escuto teu corpo em silêncio

e em silêncio me vou deixando ir

nessa força que me dá vida

eu quero ficar sem partir

perseguindo minha sina

em silêncio fico

não te procuro

mas sempre te encontro

escutando teu amor em meu silêncio

em teu silêncio meu amor escuto


Sfsousa/olharomar

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Já fui


Já fui lua em teu redor

pétala brilhante

em rosa de sorrisos frescos,


já bebi teu sonho

imerso em todos os néctares

plenos de cor

e sedentos dum beijo


Já senti teu corpo

rasgando as cores do arco-íris

e no prazer que nos inventa...voei


Sfsousa/olharomar

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Respiro o vazio

Respiro o vazio que tua falta me faz,

carrego nas veias o sangue perdido,

mas lentamente desperto

e para ti,

em mim,

permaneço vivo,


acordo para esta realidade

que recordações nos envia,

mas o vazio aí permanece sem luz

e sem sentido,

é vazio até à medula de cada corpo,

despojado de tudo

e o nada como se tudo possuísse


mas um pequeno ponto branco surge,

brilhando, neste vazio infinito,

carrega essa esperança acorrentada

por enquanto não perdida,

é o amor numa réstia de vento transportada,

o toque dum sopro profundo

o acordar devagarinho,

dum sonho pleno de vida


e esse ponto pequeno e brilhante

explode em foguetes de alegria

disparando em todos os sentidos,

a luz tomando conta de ti,

do teu buraco negro,

na alegria cativante que teu olhar desperta

abre teu coração

reclama teu amor e tua vida

e festeja essa vitória que é só tua


Sfsousa/olharomar

sábado, 5 de setembro de 2009

Me tocaste






me tocaste

nos meus sonhos

como se teus sonhos

me beijassem


me tocaste com a luz

que te ilumina

e meus olhos perseguem,


me tocaste com esse ar

sereno e só

nas rimas dos teus versos escondidos


tocando de leve

me amaste

com uma parte de ti

que procura

uma breve e doce loucura

com teus versos de amor

me tocaste


Sfsousa/olharomar

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

sinto a falta




Sinto a falta

do sol, do mar

e das lágrimas de sal

transformadas em cristais

de cores brilhantes,


Sinto a falta

do alçar do teu braço

e do encosto

no teu ombro


Sinto a falta

da paz reclamada da lua

e dos beijos que selou


...eu que sou poema de amor em verso por chegar


Sinto a falta

do ultimo céu

e do teu coração brilhando

nas marés escondidas


Sinto a falta

da areia macia brincando

nos teus pés

e da espuma branca

das ondas bravias


...eu que me tornei em azul e mar


Sfsousa/olharomar

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Já não há

Já não há

canções nem marés

em espera,

agora que te ausentas,

és brilho de rio

em suspenso no teu mar

e vazio

guardando meu olhar

Sfsousa/olharomar

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Olho o mar...



No outro lado do oceano

Nas mesmas águas transparantes

E vivas que nos chamam

Fecho os olhos


E as lágrimas de meus olhos

Em mar se transformam

Na esperança vã

Que alguma das ondas

Que te envio

Recolha pedaços teus


E regresse através desse oceano

De ondas revoltas

Mas de dádivas imensas


E eu marinheiro perdido

Recolha em meus olhos

As tuas lágrimas ao mar derramadas

E nessa imensidão perdidas


Sfsousa/olharomar

foto de Antonio Cravo


sábado, 1 de agosto de 2009

Olho o mar

Olho para o mar

e nele navego

meus pensamentos inquietos

de marinheiro sem porto,

Vejo entre a turbulência

das águas

a limpidez da tua pele

esvoaçando carícias

na serenidade dos teus olhos

e qual marinheiro sem navio

navego nas águas

que te dão vida

e num acordar que não pedi

te acompanho ao largo


Sfsousa/olharomar

sexta-feira, 24 de julho de 2009

QUE...

Que a lua

se aproxime

E seu véu

a terra cubra

Metade de mim

é aurora,

a outra metade

penumbra


Que os homens

se perdoem

da destruição

deste mar

Metade de mim

é terra,

a outra metade

teu lar

Sfsousa/olharomar


sexta-feira, 17 de julho de 2009

Que....






Que a humanidade

reclame das guerras

do ódio sem sentido

às ruas atirado

Metade de mim

é pranto

a outra metade

soldado


Que a musica

que oiço distante

seja musica

que não acabei

Metade de mim

é esperança

a outra metade

nem sei

Sfsousa/olharomar

foto de Augusto Pombo

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O fogo final


Entretanto surge a meia-noite,

0 inesperado toque das badaladas à espreita,

a música amparando seu embalar e seu ritmo,

as pessoas fugindo para outros sítios onde pudessem desfrutar

do tão esperado fogo de artificio

já que festa sem fogo de artificio de orgulho para todos,

não é festa.


E nós lá fomos

na procura de um bom lugar para admirar o lançamento dos foguetes

nos quedamos pela roda da igreja,

num varandim com vista para a rua,

um plano superior onde se avistavam as pessoas,

os seus cumprimentos e saudações,

os candidatos a políticos agrupando-se num riso desnecessário

em conversas sem sentido,

para se tornarem notados,

esperando que o fogo de artificio lhes traga o valor do oiro e o brilho das estrelas,

mas não,

são simples humanos e a multidão que por eles passa nem os reconhecem

…triste manifestação de intenção política e de aproveitamento popular,

nas derradeiras tentativas para serem apreciados e vistos,

como se os valores da vida e da personalidade

fossem festa e balança por um dia.


Eis que surge o fogo por todos esperado,

o primeiro foguete,

um enorme petardo que até assusta

desperta os animais recolhidos na sua toca

dando inicio ao fogo-de-artifício,

as pessoas todas de olhos postos no céu,

abrindo a boca de espanto

sempre que surgia novo foguete

com nova cor ou novo desenho no céu

e foram muitos foguetes,

desiguais e de cores diferentes que surgiram nesse céu negro,

como se bailassem diante dos nossos olhos em coreografias de estrelas

e nós seguindo seus sons e seus rastos

até se perderem no ar e no pensamento,

dissolvendo-se no céu,

mas guardados nos corações de todos,


E assim recolhendo a nossas casas,

se acabou a festa e a procissão,

ficam as memórias para sempre

e com a vontade de continuar a tradição da nossa terra e nosso viver,

partimos de novo para os braços do nosso amor

e para o ninho do nosso querer.


sfsousa/olharomar