sexta-feira, 22 de junho de 2018

Visita ao Parque de Noudar - Set 2017



Ao ler hoje  uma noticias sobre o parque de Noudar, não queria de deixar expresso que tive a felicidade de poder visitar este parque, infelizmente por muito pouco tempo pois as obrigações de trabalho de alguns colegas assim não permitia no entanto e, tendo descrito parte da nossa viagem, como vem sendo hábito ao longo de alguns anos de férias juntos, não quero deixar de repartir parte do que foi escrito sobre esta beleza perdida nos confins do nosso Alentejo, encostado a Barrancos e a Espanha:
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Finalmente…antes de Barrancos a placa indicativa, Parque Natural de Noudar. O esforço, o cansaço já nem se sentia, cheirávamos o aproximar da razão da nossa viagem e seguindo adiante de ruas estreitas, uma ponte, branca, como só o Alentejo imagina, atravessa um pequeno rio e permite o atravessar de um só carro…entramos e a indicação da placa 7 e poucos quilómetros até ao destino seria feito em caminho de terra, sem alcatrão, parecia que estávamos a entrar num mundo isolado, fechado e por descobrir. 
E fomos conduzindo devagar, apreciando a beleza dos sobreiros que abundam na herdade, alguns com a idade bem marcada nos troncos secos, mortos, mas com desenhos que nos desafiam a olhar para dentro das suas vidas e descobrir as suas historias e seus cantares, outros novos, verdes, alegrando a paisagem, várias perdizes aparecem no caminho, passeando diante de nós e levantando voo quando nos acercamos. A paisagem continua plantada de sobreiros, oliveiras e de verde pois neste parque que é penetrado por 2 rios pequenos (um deles o Ardila, de memoria fácil pois emprestou seu nome ao vinho que iriamos desfrutar durante a nossa breve estadia), o castelo de Noudar ao longe surgindo nos dá vontade de seguir em frente e realizar uma pequena visita mas, a chegada tardia e a casa principal, branca, reflectindo no cimo do monte a sua beleza que contrastava com o céu azul, obrigava os sentidos a querer chegar, visitar as acomodações, tomar um banho relaxante e prepararmo-nos para o jantar no restaurante o Pançudo, marcado para as 20h30.
O check in realizado em 3 tempos, rápido eficaz, a recepcionista eficiente e diligente, se apercebendo do nosso cansaço e desejo de nos acomodarmos, imediatamente dispôs de todas as chaves e nos levou á Casa principal, casa com 6 quartos, 1 cozinha e 1 sala, toda ocupada por nós, estávamos relaxados, sós, com uma paisagem única, com um silêncio e um cheiro que só este calor verdadeiramente alentejano consegue transportar no ar e nos tocar o corpo e o desejo de nos perdermos por aqui.
Depois de nos arrumarmos, de nos cuidarmos, finalmente relaxados e respirando Alentejo, nos deslocamos ao restaurante o Pançudo, existente na propriedade, que visto a nossa marcação do jantar, com escolha do menu antecipadamente, foi só chegar, sentar, servirmo-nos das entradas únicas alentejanas, do paio, do azeite, dos queijos, da simpatia da gente que nos foi servindo e, quando chega o prato principal, o vinho Ardila, tanto branco como tinto, foi um verdadeiro prazer.
A confecção dos pratos extremosa, cuidada, com simplicidade mas com um gosto distinto e sabores inigualáveis. 
Os sabores excelentes, a comida fresca e de sabores únicos deste nosso cantinho no Alentejo, nos fundiu a razão e todos em uníssono acordamos que teríamos que marcar novo almoço e jantar aqui, não valendo a pena sequer levantar voo deste sitio…seria só desfrutar do silêncio, do vento, da qualidade de excelência do restaurante, da paisagem que nos fixava nos olhos e nos levava a sonhar para lá dos montes e da realidade dura da vida, estivéssemos na piscina ou nas nossas varandas, nos transmitiam os seus sons e odores e, imaginávamos o calor ou dor de toda a gente que por aqui passou, as suas aventuras e desejos que no vento continuam a enviar para que sejam recolhidos e interpretados em cada corpo toda a profundidade que o silêncio reflecte em cada um, tornando só seu, único e que ninguém o pode modificar ou tirar.
No dia seguinte, já um pouco mais recuperados e por sugestão da recepcionista, sempre atenciosa e pronta a ajudar em caso de qualquer dificuldade, fosse necessário o que fosse, era só ligar e lá estariam para nos ajudar e, com a certeza desta disponibilidade de cooperação nos metemos ao caminho, de manhã, não tão cedo quanto devíamos, em direcção ao Castelo de Noudar, dentro do parque e, por caminho de terra, caminhando, olhos fixando o Castelo ao longe, desfrutando da beleza da paisagem sempre única, admirando os velhos sobreiros, já em fim de vida, imaginando quantas historias teriam por contar ou foram contando aos longo da vida aos caminhantes ou animais que deles se acercavam, alguns de forma imperfeitas mas belas, alguns fugidios, outros agrestes, outros violentados pelo tempo e pela idade, obrigam o nosso consciente a inventar historias e a tentar adivinhar suas forças e seus destinos. 
A chave do Castelo foi-me entregue pois nesse dia de Sábado, estando fechado a turistas, teríamos que ser nós os seus verdadeiros donos e maravilharmo-nos com as suas vistas sobre o horizonte que não tem fim, admirar o contorno dos rios que na planície á sua volta beijam as margens e dão vida à vida, ao renascer e ao saciar da sede a todos os animais, alguns selvagens, que aqui se albergaram e constituíram seu lar e sua segurança (o lince ibérico, o veado, a perdiz, algumas aves de rapina). 
Apreciamos o Castelo, com obras de restauro que se irão arrastando obrigatoriamente e, depois de uma caminhada dum só sentido, retomamos a descida para a nossa casa e nosso lar, desejosos de aí chegarmos, cansados e suados, para podermos desfrutar do prazer da piscina que quase tocávamos dos nossos quartos e varandas e então mergulhar o corpo nessa água que nos arrefecia o corpo, nos abraçava os sentidos e por breves momentos, estando todos os amigos reunidos na piscina, desfrutando desse prazer único, brincamos como crianças e nada mais valia que o simples gozo desse momento. 
A piscina com uma vista magnifica para o monte e vale, merece mais que um mergulho ou um ligeiro banho e a água deslizando pelos nossos corpos nos despia de saudades, nos livrava dos problemas e somente nos amava, nos molhando com este silêncio que com o aproximar do final da tarde transporta algo de mágico na sua cor deslizando no horizonte e nos faz sentir quão felizes somos e nos sentimos.
À noite, depois de mais um repasto de excelência no restaurante o Pançudo e um passeio breve, recolhemos às varandas e conversamos sobre a vida, sobre os momentos que vamos passando e, com o aproximar da noite mais densa, onde só as estrelas do céu se sobressaem ou uma ou outra luz ao fundo, eis que os veados soltam seu brama e mais que uma vez se ouviu este chamamento, longínquo, algures escondido no vale, provavelmente junto ao rio, chamando sua fêmea e para nós, nesse silêncio profundo, escutar este som nunca ouvido e seguramente não esperado, nos faz sentir ainda mais orgulho pelo destino escolhido que mantem sua identidade, sua simplicidade e sua natureza selvagem.
É de consenso geral que deveríamos ter ficado mais alguns dias mas, a crueza e realidade da vida nos obriga a tomar consciência que o amanhã é o recomeçar do voltar à vida real, ao trabalho, à companhia das correrias do dia-a-dia, em que o apreciar da vida, correndo depressa, não se consegue saborear como este silêncio e estes cheiros que voando no vento, penetram nossos poros e nos relaxam sem pressa e sem amanhã, só o momento vale, apesar de breve é único e precioso.
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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

GIRASSOL



Hoje é  um dia merecedor dum poema de Corsino Fortes, um de muitos poetas cabo-verdianos:



Girassol
Rasga a tua indecisão
E liberta-te.

Vem colar
O teu destino
Ao suspiro
Deste hirto jasmim
Que foge ao vento
Como
Pensamento perdido.

Aderido
Aos teus flancos
Singram navios.

Navios sem mares
Sem rumos
De velas rotas.

Amanheceu!

Orça o teu leme
E entra em mim
Antes que o Sol
Te desoriente
Girassol!
Poema de: Corsino Fortes

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

lua de carmim...sem censura


Sinceramente não me apraz rever o que escrevo, já que me obriga inconscientemente, a modificar o que salta espontâneamente da ilusão do pensamento e da força do dedilhar das teclas. Assim, venho repôr a versão incial da lua de carmim, sem rectificações... só sentir e palavras soltas...

A minha lua é cor de carmim
teu encanto meu jardim
as flores roubam tua a luz e cor
mas tu, só tu
és ar do meu ar
e eu,
em mim não me contendo
sentindo a lua a chorar
beijo teus lábios ternos e doces
e reparto com a lua
a cor das flores nos teus olhos

Sfsousa/olharomar

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Outubro 2017 - Abrigo da Geira-Gerês



Abrigo da Geira-Gerês – Outubro 2017 

À tranquilidade, às funcionárias,
Ao sentir os sentidos de volta
Mais uma vez
Mais um ano de regresso ao abrigo da Geira
Que sempre nos abre os braços
E acolhe os ruídos da cidade em nós guardados
E os remete ao silêncio da serra
Onde se misturam com o seu respirar
E nos libertam.

É aqui
Mais uma vez
Que a liberdade e a tranquilidade
Volta de novo para nos preencher o vazio
E nos dá forças para de novo voltar
A este local mágico de acolhimento

No abrigo da Geira
Mais uma vez senti a liberdade de pensamento
O aguardar do achar do dia e das sombras da noite
Tranquilas e sempre á espreita neste imenso silêncio

O despertar da manhã
Traz sons e brilhos que esvaziam o nosso interior
Os primeiros raios de sol
Beijando as lágrimas do frio da noite
Espelham nos campos e na casa
A felicidade dum novo despertar
Dando inicio a mais um dia

É calor que nos chega e nos aproxima da vida
Da terra e da serra
Dos animais e da floresta que nos cerca
Verde de belo, à espera do seu explorar
E de poderem partilhar suas memorias
Ou seus segredos com quem a visita e a respeita

Estamos os 4, eu, a Delfina, o Germano e a Luísa,
Imersos neste néctar que nos dá vida 
e nos alenta o coração

O abrigo da Geira é o nosso refúgio
Uma e outra vez
Da fuga dos nosso sonhos de cidade,
Das nossas vidas que se desvanecem correndo
Mas aqui, neste cantinho
A tranquilidade e o silêncio é só nosso
Companheiro de dia
Amante de noite
E feliz no despertar

Pena que o destino nos ofereça uma única noite
E nos obrigue a pegar nas bagagens
A partir para casa
Passando por outras vilas
Amantes da sua vida e riqueza
Percorrendo aquilo que somos de verdade
Donos de um país dum coração imenso
Duma caricia tão grande
Que em qualquer lado nos afaga
E nos sensibiliza sempre
Mesmo quando a viagem está em prestes a terminar

sfsousa/olharomar

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Hotel rural do Cró - Sabugal (Agosto 2017)







Chegamos a Rapoula do Côa, 
cansados duma viagem desgastante, 
de imensos quilómetros percorridos, 
vendo vegetações desaparecidas no tempo, arvores secas e mortas, 
negras por terem sido devoradas antes de tempo pelo fogo que do nada surgiu, 
devorou florestas em lagrimas e roubou pertences do suor da terra, 
pequenos grandes pedaços de muitas vidas.

A imensidão negra, 
dum e doutro lado das estradas, 
marcando as paisagens e as serras, 
seca também um pouco os nossos corações 
mas incentiva a voar para o nosso destino, 
poder abrir o nosso coração e partilhar parte dessa dor, 
levando um pouco de calor humano ao interior deste nosso país, 
tão belo e tão massacrado.

Vamos estrada fora, 
novas vidas vão surgindo, 
novas zonas verdes, 
um vislumbrar de esperança e do recomeçar da vida 
nestas aldeias que não se rendem 
e se reinventam quando algo de mau lhes toca o coração.

Chegamos a Rapoula do Côa, 
depois de um vislumbre sobre o Hotel Rural do Cró. 
Parece um lugar mágico, 
perdido no meio do nada mas lá chegando, 
conhecendo as pessoas, 
recuperando energias, 
damo-nos conta que o prazer da estadia 
e a amabilidade da recepção recebida, 
transporta-nos a sonhos de bem estar e prazer 
que raramente se encontram.
  
O silêncio aqui é mais silêncio e reflecte todos os silêncios 
que recordam prazeres de viagens inesquecíveis.

Aqui, neste local, 
podemos olhar de volta e recuperar de nós mesmos, 
aquele bocado que nos falta para ser feliz 
u aquele pedaço que deve ficar esquecido no fundo das nossas vidas.

O Hotel Rural do Cró 
oferece-nos e partilha essa paz tão necessária à vida, 
sentindo-nos mais jovens, 
ajudando a recuperar o corpo e a mente das correrias da cidade, 
do  movimento irritante das luzes que diariamente nos ferem 
ou das noticias desnecessárias que todos os dias pela nossa casa entram,

O restaurante do Hotel é fantástico, 
a confecção da comida rigorosa e viva, 
alegre nas cores e servida com alegria e paixão. 
Sente-se, além do bom gosto, 
uma vontade de bem servir e deixar a marca da gente da terra , 
que sempre sabe bem receber 
e partilha o que lhe vai no coração.

Foi esta dadiva, 
concedida este ano, 
para nosso deleite e para nossa maior satisfação, 
com a certeza que voltaremos um dia, 
quando a vontade de sentir o silencio 
e o prazer de desfrutar da piscina lúdica nos chame de novo 
e aí estaremos, 
os corpos não obedecendo 
mas respondendo ao chamamento da razão e dos nossos pensamentos.

O silêncio do dia, 
amaciado com a brisa mais fresca da noite, 
nos obriga a saber escutá-lo 
e sobretudo a sentir que neste silêncio muitas vidas e muitas historias nos tocam 
e nos fazem vibrar como aqui vivêssemos 
e partilhássemos os seus luares.

A piscina lúdica, 
nos abrindo sempre os seus braços, 
todos os dias, ao final da tarde, 
quando o cansaço da viagem nos vencia e ao hotel recolhíamos 
e a piscina, com as suas caricias feitas de água e força, 
com os seus cantares diferentes, estridentes, 
cercando nossos corpos, 
amaciando nossas rugas e violando nossos músculos, 
relaxando os corpos, 
davam asas e vontade de aí poisar de novo, 
quando o sol recolhesse 
no aproximar do final da tarde ou terminar do dia.

O doce momento da chegada ao Hotel Rural do Cró, 
constratando com a tristeza da partida, 
obrigatórias e necessária pois a vida não pára aqui, 
segue adiante, na esperança de outro dia voltar, 
mais jovem para continuar a sentir o vento quente do dia, 
a solidão da noite 
e a tranquilidade do pensamento.

Aqui sente-se o silencio das palavras 
que viajam no calor do vento que nos toca, 
a musica da piscina lúdica que nos embala o corpo 
e entorpece os sentidos, relaxa o vazio. 
O receber da gente que nos maravilha 
com a sua comida generosa e viva, 
alegre de cores, sensível de sabores, 
servida com alegria e paixão.

Deixamos plantado o sentimento 
de um dia voltar a partilhar a paz 
e as condições deste hotel 
que nos marcou estas ferias 
e nos reinventou para uma nova partilha 
e nova aventura.

olharomar - Agosto 2o17

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Ilha do PICO - AÇORES

Ilha do PICO - Açores


Desta vez a nossa excursão de Outubro levou-nos a voar até às nossas ilhas atlânticas, 
ao arquipélago dos Açores.

Saímos da nossa invicta cidade do Porto bem cedo, 
pois tínhamos que tocar em Lisboa, 
sendo voos da TAP temos que ajudar a fazer parte da estatística de passageiros que tocam Lisboa, 
os milhões em trânsito e para quem Lisboa nada diz ou significa mas, 
os números contarão mais tarde, 
para mais uma obra faraónica que se avizinha, 
o novo aeroporto.

Voamos por cima das nuvens durante cerca de 2 horas e lá chegamos, 
sem turbulência de maior, a Ponta Delgada com céu limpo, 
tempo ameno e uma linda ilha para nos receber.

Estávamos em trânsito e teríamos que voar de novo para o PICO, 
essa ilha de vulcões no meio do oceano mas, aproveitando a paragem, 
recorremos ao aerobus e partirmos para Ponta Delgada, 
onde pudemos reviver imagens doutra viagem 
e doutras saudades que aqui ficaram 
e que tão desejosamente relembramos, o seu porto, 
as suas gentes, as suas igrejas.

Aqui almoçamos, visitamos o mercado e aproximando-se a hora da partida 
eis-nos à espera do aerobus para nos recolher e levar de novo ao aeroporto 
para retomar nosso rumo e abrir asas de novo.

Subimos ao céu e sem que déssemos conta, eis-nos a poisar na ilha do PICO, 
ilha de vulcões e de pedras negras 
mas verdejante e bordada de flores e espuma branca com cheirinho a mar.

Aterramos e lá estão os 2 carros à nossa espera, 
serão companheiros fiéis nos próximos dias, 
levando nossos sonhos e nossos desejos a lugares novos, desconhecidos,
inimagináveis e belos, 
tropeçando nossas vidas com outras vidas 
que aqui se estendem ao longo da ilha e dela fazem seu lar.

A hora da chegada é tardia e a noite se aproximando com vontade, 
nos movemos para o nosso poiso, 
o resort Aldeia da Fonte 
que só nos foi possível apreciar no dia seguinte
mas, as casas, de pedras vulcânicas, inseridas na paisagem, 
com espaços floridos, 
os pássaros passeando descontraidamente, 
pelos seus espaços como seus verdadeiros donos mas aceitando a sua partilha com os novos intrusos, 
árvores centenárias e os quartos duma tranquilidade imensa, de cores alegres, 
com o mar a beijar as rochas que nos aproximam 
e nos hipnotizam sempre que olhamos o mar imenso 
e nos deixamos levar no som das suas ondas 
e nos sonhos das suas maresias.

Seguimos para conhecer o PICO, 
as estradas, poucas nesta ilha de terra negra e de verde revestida, 
as estradas abraçadas por flores, 
que caminham nos acompanhando ao longo do percurso, 
somente algumas hidrângeas ainda floridas com os seus caules imensos e verdes, 
variadíssimas “meninas vão para a escola”, as nossas “belas donas” 
nos mostrando o caminho apesar de ser Outubro e a escola já ter começado 
mas, as flores se mantendo até que com o passar do tempo adormeçam 
para despertar de novo com a mesma força e mesma cor no ano seguinte, 
parece que esperaram por nos para nos indicar o quão maravilhoso será na próxima Primavera 
e levando a nos deixar hipnotizar por essa visão.

Deixamos levar o nosso despertar para o interior da ilha 
e entramos ilha adentro em direção às lagoas e ao PICO, 
sítio obrigatório da viagem, e calcorreamos por estradas de terra batida, 
as vaquinhas nos olhando, olhos nos olhos, 
admiradas pela intromissão destes intrusos na invasão da sua terra e da sua tranquilidade.

O céu azul, os prados verdes e o vulcão do PICO nos seguindo sempre, para todo o lado, 
nos mostrando suas diferentes faces, seus diferentes tesouros, 
suas nuvens que sempre o beijam quando passam, 
algumas enrolando no seu corpo, desafiando o próprio Pico a desaparecer, 
outras maravilhando a paisagem e nos mostrando o seu cume 
e assim subindo, fomos desaparecendo na paisagem, 
tornando-nos cada vez mais pequenos perante esta imensa vista de pequenos vulcões inactivos, 
cobertos de verde e a ilha de S. Jorge ao fundo, esguia, 
nos felicitando por esta aventura e nos aproximando cada vez mais da beleza que aqui existe 
e nos marca a alma e o silêncio, diferente doutros silêncios,
é o silêncio da ilha que nos deixa entrar no seu mar 
e partilha connosco sua vontade e toda a sua riqueza.

Chegamos à casa da Montanha do Pico, 
sítio de paragem obrigatório para todo e qualquer caminheiro 
que se queira aventurar a subir ao ponto mais alto e, será mesmo uma aventura, 
uma demonstração de querer e vontade indómita de vencer os seus próprios medos e suas capacidades 
e chegar ao ponto mais alto onde só quem lá chega pode dizer se se esvaziam todos os sentidos 
e nos deixamos levar pelas nuvens que ai passam, quase tocando o céu.

… Após um belo repasto, de peixe fresco, grelhado 
e a garganta e sede amaciada com o vinho fresco, 
seguimos adiante para as vinhas do Pico, 
património da humanidade e recentemente divulgado por uma novela portuguesa 
que aqui preparou algumas das suas cenas e do seu enredo.

Fomos á descoberta deste amontoado de muros de pedra, 
resguardando as suas videiras e as suas uvas, 
nestes quadrados de uma imensidão que nos escapa á vista, 
com pequenas teias de rochas vulcânicas resguardando as vinhas dos ventos que o mar sempre traz, 
violentos umas vezes, doces e quentes noutras alturas, 
são montanhas de pedras pequenas, vulcânicas, diluídas nestas vinha, 
acolhendo o seu vinho e emprestando o seu calor 
para delas surgir os desejados cachos de uva, brancos ou tintos.

As vinhas rasteiras, roçando o seu corpo no calor das pedras vulcânicas, 
rastejam de espaço em espaço, até que o seu amadurecer chegue 
e, na altura da sua colheita, 
são levantadas do chão que as acolheu e partilhou seu calor e são colhidas, 
maduras, quentes e doces, para o fabrico desse vinho inigualável.

Chegando mais cedo à Aldeia da Fonte, 
nosso poiso inigualável e nosso jantar marcado de todos os dias, 
optamos por conhecer este nosso paraíso, 
calcorreando as várias ruas, revestidas de flores ao longo das varias casas, 
bem incorporadas na paisagem e nos mostrando sua beleza, sua doçura e sua tranquilidade 
e passamos por espaços ZEN, pelo SPA e outros recantos que sempre ajudam a uma reflexão, 
olhando o mar imenso, 
sentado nas cadeiras espalhadas ao longo da muralha que nos separa do mar, 
nos miradouros, observando o horizonte, esperando que o despertar do sol 
pudesse trazer essa visão única da passagem dalgum cachalote ou golfinho 
mas, espera em vão…. Hoje nadam por outras paragens.
                                                                                                                                                                         
  sfsousa/olharomar




domingo, 3 de janeiro de 2016

Fui olhar a cor do mar








Fui olhar a cor do mar
debruçado no cimo do teu monte
O azul velejando nos teus olhos
Abre a tua alma
E deixa-me ser só teu

libertas ondas brancas
Fugindo do sossego do céu
Tocam-me de mansinho
cercando meu corpo
me obrigando a chorar de prazer

as ondas de vento serpenteiam
entre as árvores verdes
ondulantes de raiva
mascarando as suas cores

sabem que o mar não está ali
sentem o seu cheiro
mas está lá longe
perto de ti
abraçando-te
esperando teu anoitecer
para que nova maré de nuvens brancas
de ti se despeça

e em mim te recolhas

sfsousa/olharomar

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Ferias na quinta do Sobral em Figueiro dos Vinhos





Desta vez o apelo das férias levou-nos ao centro do país, 
a Figueiró dos Vinho e à quinta do Sobral, 
um lugar sonhador que partilhou connosco as suas sombras, 
a sua piscina, a amabilidade dos seus donos, 
um casal de alemães que se apaixonaram por Portugal 
e aqui plantaram as suas raízes.

Sinto que naquele meu recanto do coração, 
onde se guardam todas as recordações que nos marcam e emocionam, 
sempre existirá um pedaço para Figueiró dos Vinhos, 
terra de gente simples, a vida correndo harmoniosa, sem pressas
a simpatia encontrada em casa visita realizada aos seus maiores recantos e ás suas jóias 
(Casa José Malhoa, biblioteca, museu…), tudo bem organizado, 
com gente competente nos emprestando o seu conhecimento da realidade da sua terra 
e sobretudo esse sossego que sempre paira no ar 
e nos convida a relaxar e a desfrutar desse prazer único de nada fazer,  
deixar o tempo passar e sonhar, fechar os olhos, dormitando á borda da piscina, 
sentir o voo rasante das gaivotas que mergulham acrobaticamente do céu 
e levam no bico a água que lhes mata a sede. 
São pássaros livres e que nos lembram a bonança do dia, o calor das tardes 
e o aproximar do entardecer e do recolhimento.

E assim, sonhamos livremente, sem espaços, 
a mente aberta e a esperança de um dia voltar, 
quando a saudade apertar 
e quando o desejo nos instigue a voar como as andorinhas 
e a mergulhar suavemente nessa água que nos convida a  libertar os pensamentos, 
deixá-los voar com o vento 
e repousar até que outro dia amanheça.

sfsousa/olharomar

quarta-feira, 17 de junho de 2015

FLORENÇA




Desta vez e, como todos os anos, saímos do país, voamos até à Toscânia e deliciamo-nos com o verde dos seus campos cheios de mel e vinho, a perder de vista, à espera da recolha desse néctar especial da região de Chianti, os imensos monumentos dessa Florença sempre bela e artística, com uma vista única da praça Michelangelo, as ruas estreitas escondendo tesouros e trattorias, uma breve passagem por Pisa dona dessa torre sobrevivente que eternamente ameaça cair e uma breve espreitadela a Riomaggiore e Manarola duas das Cinque terre na costa de Riviere Ligure, verdadeiras povoações a terminarem no mar, onde se fundem todas as esperanças e desejos de um dia voltar.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Espírito de Natal

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Saio á noite para ver a cidade iluminada
o espírito de NATAL espreita a cada esquina
as luzes e as cores amolecem o meu coração
e me fazem sentir que jamais ficarei sem companhia
as estrelas e as cores brilhantes
em cada rua que percorro
recolhem em mim
abro a esperança e o corpo ás luzes
ao espírito de Natal e sem saber como… me realizo

Sinto-me feliz porque sou tocado pela bondade das estrelas
e os seus espíritos entrando em mim
querem partilhar seus gestos com todos os rostos
que na rua deparamos e nem conhecemos
mas que parecem que sempre nos acompanharam
e hoje, neste dia
entendemos o quanto nos completamos

que somos felizes quando alguém ao nosso lado sorri
somos amados quando sentimos que o amor nos toca
sai, flutua no ar e transporta suas sementes para longe
e sentimos que não estamos sós
os nossos pensamentos, os nossos amigos
os nossos desejos, nos acompanham
como se ao nosso lado estivessem 
sinto que partilhamos todo esse imenso poder que existe em nós  
e docemente nos pede para sair

sfsousa/olharomar

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

no abrigo da geira, Gerês


Desta vez subimos mais a Norte, 
à beleza agreste deste nosso Gerês 
que sempre nos fascina e nos abranda o coração 
quando a vida nos obriga a desligar do que nos rodeia 
e a sermos só nós, 
nós e o silêncio das palavras que repartimos com os amigos 
quando estamos sós.

Nós e os gestos de afeição, 
os carinhos que durante os outros dias da vida a correr ficam esquecidos 
e que nestes dias, 
tão saudosos como nós, 
despertam e nos levam a sentir 
como é bom cultivar a amizade que nos rodeia,
 o amor que nos protege 
e que se manifesta verdadeiro e único.

O frio da noite reconforta a montanha 
e nos recompensa com o aconchego do abrigo da geira, 
uma casa de pedras graníticas,
 imersa num povoado de ruas estreitas aparentemente desertas de vida 
nas noites que percorrem a serra.

A noite beija de frio as portas 
e o vento toca as portadas de madeira das janelas sibilando de leve, 
esperando receber seu convite para entrar mas não, 
cá dentro o ambiente é quente, aconchegante, 
partilhado com os amigos de sempre, 
aproveitando o momento eleito entre um tinto do Douro 
e uns enchidos que nesta região nos regalam e nos desafiam, 
para entre conversas, entre risos, 
entre pretensos mas desejosos dotes musicais, 
surgir a poesia num piano que como por magia, 
ganhou vida, despertou suas notas e ritmos, 
alegrando a estadia, 
enquanto o chá da noite não chega 
e o cansaço permanece adormecido, 
como se o dia teimasse em não se deitar.

Novembro 28 e 29 de 2014

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

de volta à escola

 

Numa visita à escola,

sentado à velha secretária

acorrentado a esse U geométrico

mas pleno de vontade e nostalgia

abre-se a porta

e alguém me propõe que abrace

um momento marcante da minha vida:

 

Como se a vida não fosse de si marcante

a cada dia que passa

 

Desde o voltar do sol que nas serras desponta,

à brisa do vento que nos seca

 

Da chuva miudinha ou nuvem ensolarada,

às correntes e marés que bonanças não anunciam

 

Do outro lado do mundo que para o dia desponta

à lua que marca as nossas estações

actualmente travestidas doutras aragens

 

Mas na nossa vida

marcante será tudo o que gira

o que fira nossos olhos e corações

o que desperte angústias, alegrias

pesares e emoções

 

Todas as palavras e sorrisos que por nós passam

e repetidamente marcas nos deixam

 

E com os pensamentos acostando

escrevo sobre alguns dos mais marcantes momentos

certo de haver esquecido algum

escrevo numas poucas linhas

o que não se pode dizer em dezenas de páginas escritas

o amor, a saudade

os entes queridos, meu ar

o filme desses acontecimentos nesta página não cabe

é demasiado sentir

que nenhum livro pode abraçar

 

Sfsousa/olharomar