Domingo, 12 de Julho de 2009

a musica e a alegria



Ao fundo o palco montado

esperando a actuação dum grupo de musica de baile,

sobejamente conhecido da maioria das pessoas,

de nome artístico Diapasão,

a praça ondulava com esse mar de gente

que bailava aqui e ali,

acotovelando-se e sorrindo,

enquanto outros chegavam com a pressa imensa

de se poderem lançar um passo de dança

antes que a música se acabe


E chegou imensa gente, pessoas de todos os lados,

gente de todas as profissões e estratos sociais,

todos dançando ou se mexendo, dando asas à sua alegria,

por momentos desprendidos do peso do trabalho ou obrigação,

dançando sem medo ou receio de se perder num passo de dança

ou trocar seus passos

…é a dança popular no seu melhor.


A música surgindo em catadupa,

cantor quase sem sossego e voz sem descanso

soltando essa música que entra no ouvido

e obriga o corpo a mexer,

embalando a vontade de dançar,


Nota-se em muitos casais a vontade de participar,

olhando-se nos olhos e movendo o corpo

como se seu corpo atraísse o outro corpo,

desejoso da dança e do movimento


Não escapando imune a esta magia e confusão,

agarro na Delfina com uma mão,

puxo seu corpo e rodopio no meio de tantos corpos,

encostando a minha cabeça à sua,

tentando acertar meu passo com a música e com o coração,

bailamos levemente enquanto a música toca,

os pés parecendo não tocar o chão,

os corpos aconchegados nesse amor

que nos agarra e funde

...até se acabar a canção.

Sfsousa/olharomar

Sábado, 11 de Julho de 2009

O cair da noite

As pessoas regressando a sua casa,

esperam o cair da noite para de novo se largarem na rua

e desfrutar desta festa de encerramento com perspectivas de alegria no seu seio

e eis que a noite se aproxima,

as luzes e os arcos festivos iluminam as ruas que cercam a igreja matriz

e nos faz sentir que o dia roubou um dia ao seu descanso

e nesta data nos cobre de luz.


Todas as ruas convergem para o adro da igreja onde está o palco montado

e as barracas de venda de bugigangas, brinquedos e balões

animam a criançada,

as barracas de farturas e doces regionais

fazem as delícias dos adultos.


Mais longe os carrosséis rodopiam

em corridas psicadélicas e música estonteante

escondendo o barulho dos seus movimentos

e as crianças reclamando aos pais,

puxando das saias às mães

fazendo birras ou pedindo todo o tipo de atenção para poderem,

nem que seja por uma vez, rolar no carrossel de cores brilhantes,

que neste dia nos remete a outras vidas e passado de recordações.


No adro da igreja, perto da entrada da antiga casa paroquial,

uma tômbola tenta vender artigos oferecidos pelos paroquianos

na ânsia da angariação de fundos para a realização das obras da igreja,

que neste momento e com este pároco

começam a tomar forma e a serem realizadas,

na tentativa de recuperar os salões da Cripta,

palco de sempre das varias formas de cultura que despontavam na freguesia

e de intensa actividade cultural aí realizada,

até há bem pouco esquecida.


Sfsousa/olharomar

foto de Julio Lemos

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Outras faces da devoção


Chega a religiosidade terrena,

o palio albergando o padre e a divindade,

as pessoas se baixando, ajoelhando,

quando o discípulo do Senhor passa,

sua devoção demonstrando

numa clara manifestação de fé

e de respeito ancestrais


Um pouco atrás

as figuras representando as forças ditas vivas da freguesia e do concelho,

outras ainda tentando via eleições,

se acomodarem aos lugares públicos

e manter os seus rendimentos e tachos,

algumas definhadas,

mas tentando neste dia mostrar algum alento,

sobretudo os políticos já que as eleições autárquicas se aproximam

e há que se apresentar ao povo neste dia

para se tornarem notados e vivos,

na tentativa de anestesiar a memoria das pessoas,

mesmo que nos últimos anos se tenham sobejamente esquecido delas,

da vila, dos melhoramentos e da qualidade de vida,

e sorriem para o povo que cerca a procissão,

sorriem para um lado e para o outro,

para as pessoas que nas varandas das casas

vão acenando sem os reconhecer,

são sorrisos amarelos,

sem uma ponta de seriedade ou confiança,

sorrisos vazios de verdade e de esperança

e nesta mentira envergonhada

alguns pedroenses vão virando a cabeça e sorrindo

num gesto de desinteresse patente,

outros, saudando-os

como se a importância de estar perto dum politico

e manifestar qualquer tipo de cumplicidade e dedicação,

fosse o alfa e o ómega da sua existência.


A terminar surge a banda de música da terra,

com os acordes e melodia conhecida de todos,

sempre igual, nesta marcha repetida,

mas que sempre nos toca pois é a procissão da vila

e a homenagem ao nosso santo padroeiro

que uma vez por ano desperta

abraçando sua terra e sua gente,

recolhendo suas homenagens e suas dádivas.

A procissão passou e os santos recolheram ao seu refúgio,

cumprindo a sua obrigação de religiosidade e, se retirando,

voltam de novo ao seu sono celestial,

recuperando forças para receber os pedidos de todos os devotos

e poder em descanso eterno, voltar de novo para o ano,

com nova pujança e com nova esperança

que a humanidade dê a mão

e não desperdice sua vida e seu amor.


sfsousa/olharomar

foto de Karina Bertoncini


Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

A procissão


À hora marcada a procissão se aproxima,

ouvem-se os foguetes,

petardos secos e estrondosos,

dando a permissão para a sua saída

e todos mercê deste som intenso e esperado,

se acotovelam na procura do melhor lugar

para ver a procissão passar

e não perder nada do que esta manifestação religiosa transporta.

Eis que a procissão desponta,

à frente os dois cavaleiros da GNR,

montados em cavalos brancos,

de grinaldas coloridas,

marcam o compasso ao som de música da fanfarra,

num passo lento e harmonioso,

parecendo que se fundem com a rua e com a gente,

numa dança há muito ensaiada

e que carrega anos de história e devoção.

É sempre um prazer para a pequenada

que sempre se surpreendem e se entusiasmam

com tal garbosidade exibida por este animal

que se mistura com a nossa história.

Segue a fanfarra, os tambores (bombos) e os clarins em desafinação

vão soltando as notas estridentes e aflitas

que tentam escapar dos instrumentos

e fugir do barulho que rasga os ares.

As marjoretes, sempre jovens, com a minissaia da praxe,

seguem fazendo suas habilidades

exteriorizando sua importância e seu peso na manifestação,

marchando inebriadas,

seguidas dos tocadores de tambores e de clarim,

bombeiros de farda de gala, com os seus galões brilhando

e de orgulho o peito inchando.

Os organizadores da marcha e do evento

vão tentando harmonizar os passos

e as distâncias sem o conseguir totalmente,

mas com esforço e vontade,

e começam a aparecer os andores,

cada qual com seu santo dedicado

transportados pelos mais diversos participantes,

bombeiros, devotos da virgem Maria,

motoqueiros, da congregação eclesiástica,

dos escuteiros, da associação dos ourives,

… e segue-se o povo,

muita gente, algumas crianças vestidas de anjinho

acompanhadas de suas mães,

são uma aparição bela,

sem ponta de vaidade ou ilusão,

a verdade e pureza no seu maior.


sfsousa/olharomar - foto de Fatima Condeço


Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

2009-06-29 noite lírica em S. Pedro da Cova






Hoje a música entrou no meu corpo

e devorou minha pele como fogo incontrolado,


Saí de casa e à suave brisa que corria nos campos

entreguei meus pensamentos

comecei a andar na noite,

a Delfina acompanhando o vento,

em passo apressado

como se a lua de nós se despedisse

e em breve escapasse,

saímos disparados para o imprevisto,

caminhando sem pensar,

roçando esquinas de ruas

há muito perdidas nas nossas memorias,

e vagueamos por caminhos de mineiros,

bairros operários onde ainda hoje se sente nas pedras das ruas

o trabalho duro, o esforço pesado e esgotante,

a força inigualável da vontade deste heróis das minas,

presente nos cheiros das casas e nos labirintos das vielas,

as almas dos mineiros que sempre nos acompanharão

seguem-nos com o olhar

iluminando o caminho e as calçadas

para não nos perdermos

tomando conta de nós

e aconchegando-nos nos abraços da brisa serena

embalam nosso orgulho e nossas memórias

Percorremos grande parte de ruas cujos nomes não sabemos,

num passo apressado,

passando por outras ruas e outras casas que a vida abençoou,

chegamos à nossa igreja,

aberta neste dia de S. Pedro,

padroeiro da nossa freguesia,

a porta disparando raios de musica e cor

brilhando nas asas dos anjos

fugindo dos seus altares,

sempre que a voz da cantora lírica explodia no ar,

esvoaçando de prazer celestial

o coração nos convidava a entrar

…um agrupamento dirigido por um maestro da nossa terra,

uma voz feminina fantástica,

anestesiava nossos sentidos

deixando fluir a musica e o sonho

nas melodias que nos arrepiavam

sempre que emprestava a sua voz às notas

que dos instrumentos saltavam


Foi um acabar de noite inesperado e belo.


Sfsousa/olharomar

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

LUA....

Lua de riso rasgado

de raios de solidão em fuga,

convertendo desilusão

em fogo de luar libertado

respondes fugindo doutras vidas

e nos ultrapassas

voltando de novo

vestida doutra cor

emergindo nas serras verdes

banhada de tons claros,


sfsousa/olharomar

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Que....



Que todas as manhãs acordem
Com sinais de esperança
ao final da tarde
Metade de mim
é poesia,
a outra metade
verdade

E a mulher que amo
ao longe
Sinta esta tranquilidade
Metade de mim
sendo vida,
a outra metade
é saudade


Sfsousa/olharomar

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

MUNIQUE

Vista de Munique do alto da igreja de S. Pedro – uma visita a reter nesta primeira incursão por terras alemãs. Esta capital bávara, cheia de história e de vida conseguiu desfazer e modificar a minha opinião sobre os alemães e o receio existente à partida desfez-se em surpresa à chegada e foi subindo em admiração conforme os dias iam voando.

Ao visitar a cidade velha, a admiração pelos alemães foi crescendo, as ruas, as casas, os jardins, as flores e os canteiros, tudo arrumado, tudo limpo e nem ponta de lixo no chão. As pessoas reúnem-se em explanadas, põem a conversa em dia, bebem a sua tão apreciada cerveja, assistem a alguns acordes de música que por aqui e ali saltam dos instrumentos, dedilhados com paixão.

Os naturais vestidos com roupas floridas, trajados a rigor como se dia de festa fosse, mostram-nos as suas tradições e no meio do colorido e dos monumentos despertam em nós a alegria da visita e sentimo-nos imersos num ambiente de fantasia.

Ditou a sorte da chegada coincidir com as festas da cidade e assistirmos ao movimento que qualquer festa desperta com a alegria a saltar dos rostos de todos e a vida a crepitar em cada olhar.


Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

LUA....

Lua cheia

de nossos tormentos,

albergando todos os ais,

Lua que não mente

Lua de recordações

De medos,

Lua minha

Estação perdida

Em meu espaço sideral


sfsousa/olharomar

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

flor de pétalas rosadas



És flor de pétalas rosadas

De orvalho tuas lágrimas recheadas

Mas por favor não chores,

 

Não devolvas meus afectos em lágrimas de adeus,

És flor sentida, de amor desabrochada

Mas por favor não chores,

 

Deixa-me beijar teus bagos e a sede secar,

Regar teu jardim com esse gesto gracioso

De nova pétala libertar

 

E no vento que a traz

Uma mensagem de amor largando

Um gesto enamorado nas tuas lágrimas

Em gotas de amor transformadas,

 

Um sussurro em jeito de balada

Te beijando

… Por favor não chores

 

sfsousa/olharonmar

Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

QUE....

Que o amor

chegue de novo,

na romaria

de santos populares

em festa

metade de mim

é música,

a outra metade

 me resta

 

Que os dias lembrados

de criança adormecida

venham ao teu colo

poisar

metade de mim

é noite,

a outra metade

despertar

Sfsousa/olharomar

Sábado, 16 de Maio de 2009

Vento...



Vento de um dia

Que não se acabará

Será vento bem vindo

Como o amor de uma lembrança

À hora da despedida

Será vento de mudança

De renascimento e vida

É tempo de dar as mãos

E  juntos …caminhar

Ao futuro que há-de chegar

Como o vento destemido

Que volta sempre

Devagarinho …

Brevemente…

 

Sfsousa/olharomar

Um grande obrigado para todos os fotógrafos que me emprestaram as suas fotos que fui publicando ao longo deste meu blog, as quais tendo sido retiradas da net, muitas vezes de fontes anónimas, mesmo assim, a sensibilidade e a arte de quem tirou e que graciosamente me emprestaram esses seus jeitos de olhar as coisas e a vida, para eles todos um muito obrigado.

A PRIMAVERA ME VISITANDO NO MEU JARDIM