terça-feira, 11 de outubro de 2016

Ilha do PICO - AÇORES

Ilha do PICO - Açores


Desta vez a nossa excursão de Outubro levou-nos a voar até às nossas ilhas atlânticas, 
ao arquipélago dos Açores.

Saímos da nossa invicta cidade do Porto bem cedo, 
pois tínhamos que tocar em Lisboa, 
sendo voos da TAP temos que ajudar a fazer parte da estatística de passageiros que tocam Lisboa, 
os milhões em trânsito e para quem Lisboa nada diz ou significa mas, 
os números contarão mais tarde, 
para mais uma obra faraónica que se avizinha, 
o novo aeroporto.

Voamos por cima das nuvens durante cerca de 2 horas e lá chegamos, 
sem turbulência de maior, a Ponta Delgada com céu limpo, 
tempo ameno e uma linda ilha para nos receber.

Estávamos em trânsito e teríamos que voar de novo para o PICO, 
essa ilha de vulcões no meio do oceano mas, aproveitando a paragem, 
recorremos ao aerobus e partirmos para Ponta Delgada, 
onde pudemos reviver imagens doutra viagem 
e doutras saudades que aqui ficaram 
e que tão desejosamente relembramos, o seu porto, 
as suas gentes, as suas igrejas.

Aqui almoçamos, visitamos o mercado e aproximando-se a hora da partida 
eis-nos à espera do aerobus para nos recolher e levar de novo ao aeroporto 
para retomar nosso rumo e abrir asas de novo.

Subimos ao céu e sem que déssemos conta, eis-nos a poisar na ilha do PICO, 
ilha de vulcões e de pedras negras 
mas verdejante e bordada de flores e espuma branca com cheirinho a mar.

Aterramos e lá estão os 2 carros à nossa espera, 
serão companheiros fiéis nos próximos dias, 
levando nossos sonhos e nossos desejos a lugares novos, desconhecidos,
inimagináveis e belos, 
tropeçando nossas vidas com outras vidas 
que aqui se estendem ao longo da ilha e dela fazem seu lar.

A hora da chegada é tardia e a noite se aproximando com vontade, 
nos movemos para o nosso poiso, 
o resort Aldeia da Fonte 
que só nos foi possível apreciar no dia seguinte
mas, as casas, de pedras vulcânicas, inseridas na paisagem, 
com espaços floridos, 
os pássaros passeando descontraidamente, 
pelos seus espaços como seus verdadeiros donos mas aceitando a sua partilha com os novos intrusos, 
árvores centenárias e os quartos duma tranquilidade imensa, de cores alegres, 
com o mar a beijar as rochas que nos aproximam 
e nos hipnotizam sempre que olhamos o mar imenso 
e nos deixamos levar no som das suas ondas 
e nos sonhos das suas maresias.

Seguimos para conhecer o PICO, 
as estradas, poucas nesta ilha de terra negra e de verde revestida, 
as estradas abraçadas por flores, 
que caminham nos acompanhando ao longo do percurso, 
somente algumas hidrângeas ainda floridas com os seus caules imensos e verdes, 
variadíssimas “meninas vão para a escola”, as nossas “belas donas” 
nos mostrando o caminho apesar de ser Outubro e a escola já ter começado 
mas, as flores se mantendo até que com o passar do tempo adormeçam 
para despertar de novo com a mesma força e mesma cor no ano seguinte, 
parece que esperaram por nos para nos indicar o quão maravilhoso será na próxima Primavera 
e levando a nos deixar hipnotizar por essa visão.

Deixamos levar o nosso despertar para o interior da ilha 
e entramos ilha adentro em direção às lagoas e ao PICO, 
sítio obrigatório da viagem, e calcorreamos por estradas de terra batida, 
as vaquinhas nos olhando, olhos nos olhos, 
admiradas pela intromissão destes intrusos na invasão da sua terra e da sua tranquilidade.

O céu azul, os prados verdes e o vulcão do PICO nos seguindo sempre, para todo o lado, 
nos mostrando suas diferentes faces, seus diferentes tesouros, 
suas nuvens que sempre o beijam quando passam, 
algumas enrolando no seu corpo, desafiando o próprio Pico a desaparecer, 
outras maravilhando a paisagem e nos mostrando o seu cume 
e assim subindo, fomos desaparecendo na paisagem, 
tornando-nos cada vez mais pequenos perante esta imensa vista de pequenos vulcões inactivos, 
cobertos de verde e a ilha de S. Jorge ao fundo, esguia, 
nos felicitando por esta aventura e nos aproximando cada vez mais da beleza que aqui existe 
e nos marca a alma e o silêncio, diferente doutros silêncios,
é o silêncio da ilha que nos deixa entrar no seu mar 
e partilha connosco sua vontade e toda a sua riqueza.

Chegamos à casa da Montanha do Pico, 
sítio de paragem obrigatório para todo e qualquer caminheiro 
que se queira aventurar a subir ao ponto mais alto e, será mesmo uma aventura, 
uma demonstração de querer e vontade indómita de vencer os seus próprios medos e suas capacidades 
e chegar ao ponto mais alto onde só quem lá chega pode dizer se se esvaziam todos os sentidos 
e nos deixamos levar pelas nuvens que ai passam, quase tocando o céu.

… Após um belo repasto, de peixe fresco, grelhado 
e a garganta e sede amaciada com o vinho fresco, 
seguimos adiante para as vinhas do Pico, 
património da humanidade e recentemente divulgado por uma novela portuguesa 
que aqui preparou algumas das suas cenas e do seu enredo.

Fomos á descoberta deste amontoado de muros de pedra, 
resguardando as suas videiras e as suas uvas, 
nestes quadrados de uma imensidão que nos escapa á vista, 
com pequenas teias de rochas vulcânicas resguardando as vinhas dos ventos que o mar sempre traz, 
violentos umas vezes, doces e quentes noutras alturas, 
são montanhas de pedras pequenas, vulcânicas, diluídas nestas vinha, 
acolhendo o seu vinho e emprestando o seu calor 
para delas surgir os desejados cachos de uva, brancos ou tintos.

As vinhas rasteiras, roçando o seu corpo no calor das pedras vulcânicas, 
rastejam de espaço em espaço, até que o seu amadurecer chegue 
e, na altura da sua colheita, 
são levantadas do chão que as acolheu e partilhou seu calor e são colhidas, 
maduras, quentes e doces, para o fabrico desse vinho inigualável.

Chegando mais cedo à Aldeia da Fonte, 
nosso poiso inigualável e nosso jantar marcado de todos os dias, 
optamos por conhecer este nosso paraíso, 
calcorreando as várias ruas, revestidas de flores ao longo das varias casas, 
bem incorporadas na paisagem e nos mostrando sua beleza, sua doçura e sua tranquilidade 
e passamos por espaços ZEN, pelo SPA e outros recantos que sempre ajudam a uma reflexão, 
olhando o mar imenso, 
sentado nas cadeiras espalhadas ao longo da muralha que nos separa do mar, 
nos miradouros, observando o horizonte, esperando que o despertar do sol 
pudesse trazer essa visão única da passagem dalgum cachalote ou golfinho 
mas, espera em vão…. Hoje nadam por outras paragens.
                                                                                                                                                                         
  sfsousa/olharomar




domingo, 3 de janeiro de 2016

Fui olhar a cor do mar








Fui olhar a cor do mar
debruçado no cimo do teu monte
O azul velejando nos teus olhos
Abre a tua alma
E deixa-me ser só teu

libertas ondas brancas
Fugindo do sossego do céu
Tocam-me de mansinho
cercando meu corpo
me obrigando a chorar de prazer

as ondas de vento serpenteiam
entre as árvores verdes
ondulantes de raiva
mascarando as suas cores

sabem que o mar não está ali
sentem o seu cheiro
mas está lá longe
perto de ti
abraçando-te
esperando teu anoitecer
para que nova maré de nuvens brancas
de ti se despeça

e em mim te recolhas

sfsousa/olharomar

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Ferias na quinta do Sobral em Figueiro dos Vinhos





Desta vez o apelo das férias levou-nos ao centro do país, 
a Figueiró dos Vinho e à quinta do Sobral, 
um lugar sonhador que partilhou connosco as suas sombras, 
a sua piscina, a amabilidade dos seus donos, 
um casal de alemães que se apaixonaram por Portugal 
e aqui plantaram as suas raízes.

Sinto que naquele meu recanto do coração, 
onde se guardam todas as recordações que nos marcam e emocionam, 
sempre existirá um pedaço para Figueiró dos Vinhos, 
terra de gente simples, a vida correndo harmoniosa, sem pressas
a simpatia encontrada em casa visita realizada aos seus maiores recantos e ás suas jóias 
(Casa José Malhoa, biblioteca, museu…), tudo bem organizado, 
com gente competente nos emprestando o seu conhecimento da realidade da sua terra 
e sobretudo esse sossego que sempre paira no ar 
e nos convida a relaxar e a desfrutar desse prazer único de nada fazer,  
deixar o tempo passar e sonhar, fechar os olhos, dormitando á borda da piscina, 
sentir o voo rasante das gaivotas que mergulham acrobaticamente do céu 
e levam no bico a água que lhes mata a sede. 
São pássaros livres e que nos lembram a bonança do dia, o calor das tardes 
e o aproximar do entardecer e do recolhimento.

E assim, sonhamos livremente, sem espaços, 
a mente aberta e a esperança de um dia voltar, 
quando a saudade apertar 
e quando o desejo nos instigue a voar como as andorinhas 
e a mergulhar suavemente nessa água que nos convida a  libertar os pensamentos, 
deixá-los voar com o vento 
e repousar até que outro dia amanheça.

sfsousa/olharomar

quarta-feira, 17 de junho de 2015

FLORENÇA




Desta vez e, como todos os anos, saímos do país, voamos até à Toscânia e deliciamo-nos com o verde dos seus campos cheios de mel e vinho, a perder de vista, à espera da recolha desse néctar especial da região de Chianti, os imensos monumentos dessa Florença sempre bela e artística, com uma vista única da praça Michelangelo, as ruas estreitas escondendo tesouros e trattorias, uma breve passagem por Pisa dona dessa torre sobrevivente que eternamente ameaça cair e uma breve espreitadela a Riomaggiore e Manarola duas das Cinque terre na costa de Riviere Ligure, verdadeiras povoações a terminarem no mar, onde se fundem todas as esperanças e desejos de um dia voltar.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Espírito de Natal

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Saio á noite para ver a cidade iluminada
o espírito de NATAL espreita a cada esquina
as luzes e as cores amolecem o meu coração
e me fazem sentir que jamais ficarei sem companhia
as estrelas e as cores brilhantes
em cada rua que percorro
recolhem em mim
abro a esperança e o corpo ás luzes
ao espírito de Natal e sem saber como… me realizo

Sinto-me feliz porque sou tocado pela bondade das estrelas
e os seus espíritos entrando em mim
querem partilhar seus gestos com todos os rostos
que na rua deparamos e nem conhecemos
mas que parecem que sempre nos acompanharam
e hoje, neste dia
entendemos o quanto nos completamos

que somos felizes quando alguém ao nosso lado sorri
somos amados quando sentimos que o amor nos toca
sai, flutua no ar e transporta suas sementes para longe
e sentimos que não estamos sós
os nossos pensamentos, os nossos amigos
os nossos desejos, nos acompanham
como se ao nosso lado estivessem 
sinto que partilhamos todo esse imenso poder que existe em nós  
e docemente nos pede para sair

sfsousa/olharomar

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

no abrigo da geira, Gerês


Desta vez subimos mais a Norte, 
à beleza agreste deste nosso Gerês 
que sempre nos fascina e nos abranda o coração 
quando a vida nos obriga a desligar do que nos rodeia 
e a sermos só nós, 
nós e o silêncio das palavras que repartimos com os amigos 
quando estamos sós.

Nós e os gestos de afeição, 
os carinhos que durante os outros dias da vida a correr ficam esquecidos 
e que nestes dias, 
tão saudosos como nós, 
despertam e nos levam a sentir 
como é bom cultivar a amizade que nos rodeia,
 o amor que nos protege 
e que se manifesta verdadeiro e único.

O frio da noite reconforta a montanha 
e nos recompensa com o aconchego do abrigo da geira, 
uma casa de pedras graníticas,
 imersa num povoado de ruas estreitas aparentemente desertas de vida 
nas noites que percorrem a serra.

A noite beija de frio as portas 
e o vento toca as portadas de madeira das janelas sibilando de leve, 
esperando receber seu convite para entrar mas não, 
cá dentro o ambiente é quente, aconchegante, 
partilhado com os amigos de sempre, 
aproveitando o momento eleito entre um tinto do Douro 
e uns enchidos que nesta região nos regalam e nos desafiam, 
para entre conversas, entre risos, 
entre pretensos mas desejosos dotes musicais, 
surgir a poesia num piano que como por magia, 
ganhou vida, despertou suas notas e ritmos, 
alegrando a estadia, 
enquanto o chá da noite não chega 
e o cansaço permanece adormecido, 
como se o dia teimasse em não se deitar.

Novembro 28 e 29 de 2014

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

de volta à escola

 

Numa visita à escola,

sentado à velha secretária

acorrentado a esse U geométrico

mas pleno de vontade e nostalgia

abre-se a porta

e alguém me propõe que abrace

um momento marcante da minha vida:

 

Como se a vida não fosse de si marcante

a cada dia que passa

 

Desde o voltar do sol que nas serras desponta,

à brisa do vento que nos seca

 

Da chuva miudinha ou nuvem ensolarada,

às correntes e marés que bonanças não anunciam

 

Do outro lado do mundo que para o dia desponta

à lua que marca as nossas estações

actualmente travestidas doutras aragens

 

Mas na nossa vida

marcante será tudo o que gira

o que fira nossos olhos e corações

o que desperte angústias, alegrias

pesares e emoções

 

Todas as palavras e sorrisos que por nós passam

e repetidamente marcas nos deixam

 

E com os pensamentos acostando

escrevo sobre alguns dos mais marcantes momentos

certo de haver esquecido algum

escrevo numas poucas linhas

o que não se pode dizer em dezenas de páginas escritas

o amor, a saudade

os entes queridos, meu ar

o filme desses acontecimentos nesta página não cabe

é demasiado sentir

que nenhum livro pode abraçar

 

Sfsousa/olharomar

 

 

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Nave Redonda do Cerro–Alentejo (férias 2014)

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Desta vez as delicias das férias e do verão transportaram o meu desejo para sul, tal ave de arribação procurando seu ninho e sua felicidade.
Deixamos para trás as planícies áridas e secas do Alentejo interior, dos cheiros e sabores imensos que sempre nos consolam a alma. 
Desaguamos nesse cantinho, algures verde, algures seco, que contempla enleado a serra que nos vai franqueando os cheiros da maresia que se esvai nas praias de areal brilhante quando o mar toca a nossa costa algarvia que está já ali, tão perto de nós.
Depois de algumas paragens pelo caminho para apreciarmos este nosso pequeno país, mas de riquezas imensas, chegamos a Nave Redonda, um pequeno lugar da freguesia de Saboia, encostada à serra, que nos emprestou seu cerro por uns dias.
Ficamos surpreendidos com a beleza nua da paisagem e do toque brilhante das suas gentes, que sorriem quando passamos e nos saúdam com a sua simpatia e seu coração aberto. 
São a nossa gente, a sua melhor essência e por isso, esse nosso grito sentido transportando o orgulho genuíno de ser português se vai multiplicando sempre que deixo a minha alegria divagar pelos montes, pelas campinas, pelos campos áridos do Alentejo ou pelas montanhas e serras abruptas do norte, conhecendo as nossas gentes que se vão mantendo fieis às suas tradições, ao seu natural e inexplicável saber de sempre receber bem quem por bem se acerca e abre seu coração.
Por aqui ficamos, deambulando pela propriedade que nos permite abraçar novas descobertas, nos delicia com novos cheiros e novas cores, é o Alentejo encostado à serra e ao sul nos confortando com seu calor diferente e único.
Voamos pela propriedade, desfrutamos dos baloiços do parque das merendas, ficamos hipnotizados pelas sombras dos sobreiros e seguimos o voo dos pássaros que fugiam do calor do sol, se refugiando no aconchego das sombras, tal como nós.
O silêncio acompanha-nos durante os passeios pedestres, os sobreiros mais velhos vigiam a nossa passagem e nos reconfortam com sua sombra oferecendo-nos os seus abraços e, no alto do monte, quando abrimos os braços e fechamos os olhos, sentimo-nos flutuar entre o calor do dia, a poeira das vidas que neste monte existem e repartem suas alegrias e experiências connosco.
Os cheiros entram no corpo e nas narinas, seguem direitos ao pensamento e à imaginação, baloiçando os sonhos que vão deambulando por entre histórias de beleza e colorido imenso, de arrepios de prazer e simpatia.
Recordamos com intensidade os momentos por vezes sós, como estes montes, mas plenos de histórias e de sensações que não conseguimos repartir, são momentos que unicamente se sentem quando estamos presentes sentindo a terra e nos toca essa brisa quente ou aquele fresquinho que ultrapassou a serra e nos chega do outro lado do mar para nos consolar nas noites em que as flores adormecem e os ralos cantam.
À noite, como todas as noites, o céu abre a sua porta e nos regala com os seus melhores presentes e, nas noites mais negras quando o céu brilha de intensidade, as estrelas vão reluzindo de brilho, piscando seus olhos a outras estrelas que passam e nos mostram toda a sua força e esplendor. São imensas, tantas que a nossa imaginação não as consegue contar mas desenham suas vidas nesse céu negro e obrigam as nossas almas a voar, aqui no Alentejo onde irradiam suas luzes, partilham suas vidas e suas ilusões nos convencendo também a sonhar cada noite que a escuridão nos beija.
No final da tarde, quando descemos do cerro para o restaurante mira serra, esse restaurante que nos abre suas portas e iguarias e nos desafia sempre a voltar como se a vontade já não nos pertencesse. A comida caseira, de sabor inigualável preenche os nossos momentos de alegria, de companheirismo e riso debruçados sobre a mesa, regalados com novos sonhos, aprofundando amizades ou preparando nova viagem.
O tempo vai passando morno e apaixonante ao ritmo desejado das férias, relaxante e desafiador. A piscina bordejada de verde, cativante de cor, nos convida a entrar e a desfrutar do prazer do momento mas, aproximando-se o dia da partida, faz-nos reviver a chegada e os momentos de descanso aqui passados. 
Um lugar já retido na memória de todos e a revisitar sempre que a nostalgia nos rodeie e a saudade da aventura nos aperte.
Até um dia…
sfsousa/olharomar

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Alentejo - manhã



a manhã acaba de sorrir
quando os grilos saem da toca
soltam notas estridentes ao ouvido
abraçando este silêncio
que chega à planície com o despertar da aurora
e se refugia nestas estrelas
que ternuramente me abraçam
e de amor selvagem me possuem

sfsousa/olharomar

terça-feira, 27 de maio de 2014

viagem



Os meus olhos,
apesar do cansaço da viagem,
não se conseguem fechar
devoram esse infinito que cintila em cada estrela,
são tão brilhantes que voam das nossas imaginações,
um ou outro rasto cintilante surge
desaparecendo num ápice,
sentimos os amores que aqui não estão
nos enviando suas mensagens
tocadas pelas suas almas
de caminhantes estelares

sfsousa/olharomar

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Alentejo–visita a Beja


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Quinta feira, dia de saída a Beja,
como sempre um pequeno almoço divinal,
os nossos colegas franceses já estavam acampados na mesa para desfrutar das compotas,
dos queijos, dos sumos e sentir os paladares do Alentejo nesta casa aconchegadora,
 o outro casal, jovens da Lourinhã, simpáticos e de cara alegre,
satisfeitos com a vida e suspirando de amores.

Depois do pequeno-almoço, rumamos a Beja,
 a contar com a estrada ardendo deste calor infernal,
 haveria de chegar aos 42/43º
e percorremos estes cerca de 50 km,
com pressa de chegar e acomodar as visitas antes da chegada do calor
e do inferno do inicio da tarde.
Depois de estacionarmos e namorarmos uma montra com artigos de qualidade,
que mais tarde viríamos a comprar, lá fomos nós para o meio da cidade velha,
sentir o pulsar do coração e onde as memórias de sempre,
antigas como a sua historia aí permanecem.

Visitamos a igreja da Nª Sª dos Prazeres,
entramos mas não podemos tirar fotografias a esses quadros belos,
a essas paredes debruadas de capa de ouro e de talhas inesquecíveis,
com um teto fantástico.
O funcionário, solicito, agradável e conhecedor,
pegou-nos na imaginação
e levou-nos a passear pelos sítios mais interessantes de Beja.
Era conhecedor do espólio e da vida desta cidade.
Gostei da sua atitude, do seu saber e conhecimento
que nos emprestava com um orgulho brilhando nos olhos,
quando falava da sua cidade e das suas riquezas que muitos não veem.

E fomos à Santa Casa da Misericórdia,
neste momento em restauro, aproveitando espaços para a escola de Bento Jesus Caraça e,
recuperando pouco a pouco as suas paredes,
os seus vícios e as suas riquezas.
Fomos atendidos por uma empregada cujo marido é de S. Pedro do Sul,
 apanhou-nos pela pronúncia do Norte
e lá ficamos em cavaqueira amena e com direito a visita guiada neste edifício que estava a encerrar
 mas, de acordo com o cura do museu e da casa,
abriram a capela para nós e assim podemos apreciar e tirar fotos deste espolio tão bonito
e que agora se recupera vagarosamente.
Um obrigado a essa gente dedicada e aberta de coração que partilha connosco os seus tesouros.

O castelo, ainda aberto, partilhou connosco uma vista esplendorosa sobre a cidade e a planície, albergando no seu seio, um museu e um espaço de lazer, bonito e bem cuidado.

Na praça da Republica, a sede da Câmara e o inicio da rua que alberga os dois restaurantes
que nos foram sugeridos,
 a Pipa e a tasca 25 de Abril, que estavam abertos.
E sentamos, comemos e apreciamos os cheiros e delícias da cozinha regional alentejana,
sobretudo as sobremesas que nos acorrentaram as delicias e os sabores.
Passamos por uma loja dos sabores,
para comprar o vinagre com mel e outras doçarias que despertam a vontade de comer.
Voamos em direcção a Castro Verde e por sugestão visitamos a herdade dos Grous,
fantástica herdade de enoturismo, bem cuidada, fazedora de vinhos, exemplar,
propriedade de ingleses que cuidam da terra e da herdade com um cuidado só visto.

Sfsousa/olharomar

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Mértola–branco imaculado

 

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Após a chegada a Mértola,

visita à antiga mesquita,

agora igreja,

de um branco me iluminando

como todo o casario que a rodeia

o seu interior, simples, belo,

abóbodas brancas,

alinhadas e sonhadoras

como só a simplicidade pode ser

 

apesar do sofrimento do calor das horas mais duras,

sinonimo do inicio das tardes,

obrigatórias do recolhimento,

valeu a pena

estar no meio da mesquita,

penetrar no silêncio do branco, imaculado

ouvir em silêncio

histórias de guerra e paz

de amor e dor

sentir que somos presente

com princesas e amores navegando no rio,

dissolvendo-se até ao mar

sfsousa/olharomar

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Alentejo– o pulo do lobo


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Hoje, almoço em Mértola
e partida à descoberta da rota do Pulo do Lobo,
sitio obrigatório nas belezas em redor,
envolto em lendas e histórias
e deito os olhos para essa estrada,
sempre igual, de retas imensas,
bordejada de planícies secas,
lutando por pedidos dum pouco de lágrimas se chuva,
o sol desafiante, impiedoso e quente,
tão quente que nos queima a alma e os pensamentos
ao imaginar esses montes verdes,
ondulando ao vento seus filhos
 festejando suas festas e suas vitórias
mas aqui, neste caminhar até ao pulo do lobo,
algumas oliveiras repartem a sombra com a paisagem
e tocam o coração de quem passa,
emocionando o passeio e dando-nos alento para continuar,
partilhar a vida com esta terra inóspita,
atravessá-la no seu seio e dizer que estamos aqui,
solidários como se fossemos seus filhos
mesmo fustigados pelo calor e pelo suor.

Depois de parecer uma eternidade de viagem,
chegamos ao portão que sinaliza a entrada para o pulo do lobo,
1,5 km em terra batida,
obrigação de fechar o portão
e entrar de novo nas entranhas da terra e do desconhecido.

Seguimos atentos, imaginando o que íamos encontrar
e pensando que o acabar da viagem seria ali,
na próxima curva, no próximo desvio,
mas a caminhada é longa e difícil,
como todos os dias para esta gente boa neste nosso Alentejo profundo,
de horizontes perdidos,
intocáveis pela vista e desperdiçados,
entregues à sua sorte e à sua sina,

Chegamos finalmente,
um outro casal, esse de jipe,
já estava apreciando esse bloco de pedra,
devastado pela passagem de grande caudal de água algures,
as rochas alisando e preparando o caminho para o rio seguir seu percurso
e o lobo, na sua parte mais estreita,
perseguido pelos caçadores,
obrigado a saltar essa queda de água,
imaginada neste verão e que no inverno despontará,
talvez sem a força e a grandeza da história
mas pelo menos imprimindo à nossa imaginação seu papel,
sua força e sua gloria

sfsousa/olharomar