quarta-feira, 21 de abril de 2010

serei...

serei vento e tormenta  
entre fuga e dor

serei coração ardente
ilusão do sentir

serei céu e alma
tua pele minha flor

serei amor e lágrima
ausência do que sou

serei chuva e vendaval
um choro só meu

serei lar e horizonte
de tudo o que restou

serei nota de música
com alma de acordeão
calor e ninho
na palma da minha mão

Sfsousa/olharomar
foto de Wotjek Aleksandrowicz

sexta-feira, 9 de abril de 2010

vermelho ruivo




O vento frio surge do mar  
beija com a força da noite as minhas faces
acorda forças em ti adormecidas,
é vento do norte
sopra quando menos se espera
e adormece em vermelho ruivo
todo o meu corpo

sfsousa/olharomar

quarta-feira, 31 de março de 2010

Cavalete de S.Vicente - monumento de interesse público


Nesta terra que tende a esquecer as suas referências ou a não valorizar as suas memórias, o cavalete do Poço de S. Vicente é hoje monumento de interesse público – um marco de recordações que se perpetuará, reflectido nessa montanha de carvão que o precede, será luz de futuras gerações sobre os sofrimentos aí infligidos, as doenças que cercavam os corpos dos mineiros, as forças que se acabavam com o romper do dia e as imensas vidas perdidas fora de tempo.

Presto a minha homenagem à minha terra, aos mineiros que na mina soçobraram e a todos que pela sua coragem vestiram sua pele e lutaram pela sua vida e dignidade:

O céu abre a sua parte rebelde
nos dedica a sua parte soalheira
desalento em carvão de madeira
manhã manchada de nevoeiro
que chega em solenidade
despojada nos teus pés de santo

és terra de negro vestida,
de carvão trajada,

de vontade imensa de lutar,
de trabalhos árduos,

das bocas secas em poços sem fundo
de liberdades inalcançáveis

da luz do dia ao fundo do túnel
dos canais irrespiráveis

E nossos pais e avós
lutando em desespero
por um pedaço de dignidade
um bocado de pão
esperando alguém santo ou não
lhes desse a mão
e um suspiro de liberdade

sfsousa/olharomar

sexta-feira, 19 de março de 2010

Dia do pai, 19 de Março – TERNURAS


Dia do pai, 19 de Março – TERNURAS

Um arrepio percorreu meu corpo,
uma lágrima pela minha face rolou,
brilhando de ternura e de orgulho,
se desfez e me abraçou
As filhas que amo,
me dedicaram sua prenda neste dia,
prenda de amor,
breves palavras de sentimento
que eu orgulhosamente resolvo postar:

PAI

Pai é aquele que nos vê crescer
nos mostra o mundo
e tudo o que temos que aprender
é aquele que se orgulha de nós
quando revelamos empenho na vida,
empenho em tornarmo-nos alguém…

Pai é aquele que dá carinho
mas que também tem que castigar
nos ensinar os bons caminhos
e prevenir sobre aqueles
que não devemos tomar
eu e tu, somos pai e filha
e este laço para sempre nos há-de unir
entre divergência e oposições
ambos conseguimos não esquecer
a ternura que une nossos corações
hoje é dia do pai
mas tu és meu pai todos os dias…
há que te homenagear
por isso…
um beijo das tuas duas filhas

Joana e Catarina

sábado, 6 de março de 2010

Festival do Chocolate em Óbidos




 Um encanto a chocolate nos convida a entrar no seu jogo de sedução e a nos deixarmos embalar. As portas abrem-se e sente-se no ar um convite doce que nos quebra as defesas e nos levita os sonhos nos levando pelas ruas esguias e nos convidando a participar nesta magia de cor e alegria.

As muralhas refugiam seu festival, guardando seu tesouro de caramelo vestido e o casario branco, reflectido nestas muralhas que o abraçam, com as flores coloridas nas janelas, nos convidam para entrar noutra dimensão.

Os comerciantes desfraldam suas portas e janelas, debruçam seu artesanato e seus tesouros, penduram suas vidas nas entradas, nos convidando a beber desta emoção e a sonhar, nos encantando.

Os cheiros trazidos no vento entorpecem os sentidos e quase nos obrigam a desligar e a deixar-nos levar pela corrente, mas é preciso aguardar até que o chocolate nos cubra de vida.

A porta abre-se, o evento despe-se perante nossos olhos, sentimos uma vontade de tudo tocar.
O colorido está presente, os doces, as guloseimas, os cheiros, hipnotizam-nos e nos enchem de amor com cheiro a caramelo nas tâmaras escondido.

Os nossos olhos derretem carícias e os nossos corpos, lado a lado, cúmplices, se derretendo em chocolate quente e doce que nosso amor vai desfazendo, suavizando a partilha e doçura das nossas vidas.
Seguimos desafiando chocolates de todas as cores e feitios. As crianças divertem-se sobre os olhares atentos das educadoras, os seus olhos brilham de contente e a sua alegria nos contagia transportando para nós o sonho que realizam.

É a doçura da vida no seu apogeu, o chocolate dançando diante de nós, nos convidando a profaná-lo. É difícil resistir a esta tentação que nos acompanha sem cessar.

Paramos diante duma tenda branca que reflecte sua presença nas muralhas, a tenda das esculturas de chocolate, onde os artistas emprestam sua arte e sua vida, reflectindo sua virtude no chocolate, negro ou branco, pleno de emoção e vida. São estátuas fantásticas cujas almas ainda tento capturar em foto.
A simbiose perfeita entre a tentação do chocolate, do seu cheiro, que nos anestesia os sentidos e faz vibrar nossos pensamentos e a beleza da escultura na sensibilidade das mãos dos artistas.

Sfsousa/olharomar

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

hoje eu quero



Hoje eu quero
rir do medo que nos afaga
iludindo o sentimento,

Hoje eu quero
soltar borboletas na primavera
e o coração no vento

Hoje eu quero
inventar amor nas palavras suadas
com o estio do meu corpo

Hoje eu quero
mergulhar os pés na areia
deixar que a maré tome conta de mim

e…perdoar
…hoje eu quero

sfsousa/olharomar

sábado, 30 de janeiro de 2010

Memórias da viagem ao Alentejo (1)




Nas nossas memorias ficam as visitas a Arraiolos,
famosa e mundialmente conhecida pela manufactura dos seus tapetes,
a passagem tocando levemente Évora recordando o Templo de Diana,
a chegada a Reguengos,
onde fomos presenteados com uma refeição bem alentejana no restaurante o Gato, mesmo no centro da Praça onde se desfruta a imagem duma igreja espectacular virada para o centro da vila,
o desvio feito na saída para Monsaraz passando pela adega cooperativa de Reguengos, a passagem por Corval, onde há a maior concentração de oleiros da península ibérica, parar para apreciar o artesanato alentejano no seu melhor,
visitando uma olaria e assistindo ao nascimento duma peça de arte a partir dum simples naco de barro,
com as mãos como ferramenta e o coração como inspiração
e depois mergulhar os olhos na água imensa dessa reserva do Alqueva com o castelo de Mourão de peito aberto no alto,
na defesa das invasões dos inimigos de outrora e a visita à Nova Aldeia da Luz, reconstituída pedra por pedra, rua por rua,
na vã ilusão de recriar a mesma aldeia,
nova de raiz mas com as mesmas memorias que ficaram nas pedras,
nas calçadas e nas casas que foram engolidas pelas águas com a construção da barragem,
afundando e mergulhando a aldeia na água que cobre agora as outrora secas planícies alentejanas.

A boa sensação de ficarmos acomodados na casa D. Antónia,
casa de turismo rural, dentro das muralhas de Monsaraz,
onde desfrutamos dum presépio de rua
e do silêncio que acompanhava os nossos passos na noite,
nesta vila cheia de memorias ancestrais,
levou-nos a querer repetir a experiência
e a ter saudade de voltar mesmo antes de partir.

sfsousa/olharomar

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Escrevi teu nome





Nessa flor que te dei
escrevi teu nome

Nas pétalas de versos inacabados
navegando nos olhos das luas que me perseguem
escrevi teu nome

Na verdade ausente que a tua cor levou
e nos meus anseios regados de sangue
escrevi teu nome

No vazio dos meus sentidos
e no batel de esperança dos sonhos que não esqueço
escrevi teu nome

Sfsousa/olharomar

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Fim semana no Alto Alentejo




28/29 Dezembro 2009
Uma viagem pelo nosso Alentejo, hoje pleno de chuva e de castelos de encantar, de lendas e batalhas reais nas planícies a perder de vista, verdes e serenas, com as suas searas à espera de dançar inebriadas quando o sol desponte e o vento se solte.

O céu festejando a chuva que aqui cai, tão desejada e esperançosa da vida que desperta,  nos campos e nos sorrisos das gentes, agora com o maior lago artificial da Europa, a barragem do Alqueva,
em plena actividade e pronto para aliviar o Alentejo do calores dos Verões ardentes, que sempre voltam.

Um passeio que deixou no ar a vontade de aí voltar, à boleia doutra estação do ano, e poder assistir ao bailar das searas na primavera e aos cheiros que sopram nos ventos que se encontram e misturam e que sempre nos tocam o coração.


sfsousa/olharomar

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Meu ano novo



Meu ano novo que se aproxima
deixa-me
mergulhar nesses abraços
que ficaram no ano que finou
traz-me
as boas lembranças
que os sentimentos não tolheram
e desfralda o olhar
nas memórias das velas recolhidas
quando o mar arrependido
em maré calma se transformar

Sfsousa/olharomar

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

É NATAL


Que neste Natal
chovam estrelas brilhantes de magia
libertando os sonhos de criança em nós adormecidos
tocando de paz e amor os corações feridos
serão prendas de esperança e alegria

Oiço sinos em cada coração batendo
e anjos no céu à boleia das estrelas cintilantes,
brilham  de  esperança e amizade
soltando o amor do seu colo
choram lágrimas de amor e saudade

Sfsousa/olharomar

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Mar






06/12/2009 – uma visita à praia da Granja/Aguda em dia cinzento de arrepiar e mar violento enraivecido (Eu, Delfina, Germano, Luísa)



Mar,
mar revolto que hoje me chamaste, 
trouxeste ondas enamoradas e loucas, 
tocadas pelo vento forte do desejo,
buscando refugio na imensidão do meu sonho

Mar,
correndo na praia, 
os teus barcos aprisionados
seguram suas vidas e seus pertences, 
guardam as redes com o marcar dos anos nos seus fios, 
resguardando sua luta para outro dia e outra maré

Mar fundo,
o céu coberto de negro, 
reflecte no teu leito as nuvens soltas e inebriadas de amor,
carregando ventos de tempestade 
nas ondas que fustigam nossos cabelos,
a chuva encontra seu poiso nos olhos que teimam em abrir, 
é a beleza das forças da natureza 
nos mostrando quem manda no seu destino 

As gaivotas fugiram amedrontadas e no horizonte nada navega, 
só o amor entra por essa imensidão,
foge da terra deixando amarras soltas para trás,
segue pelo mar e tempestade adentro, 
sem rumo, 
se multiplicando em cada vaga, 
como se pudesse repartir seu desejo e suas lágrimas 
por este oceano que nos hipnotiza

O crepitar da vida é ofuscado pelo rebentar das ondas 
e o silvo do vento batendo nas rochas 
inunda nosso farol com sua luz de carícias

As ondas desejosas de chegar a terra, 
levantam seus braços e quase chegam ao céu, 
desfazem seus desejos na praia e não alcançam seu sossego, 

morrem na areia e retomam seu destino, 
com a mesma força que lhes dá vida 
e que de novo na praia se perde

Sfsousa/olharomar



sábado, 5 de dezembro de 2009

Tua foto na noite




Vi tua foto na noite,
morna como sopro de beira rio
em esperança de verão
tocada pela luzes das estrelas reflectidas nas águas,
um breve flash na mão,
o  sorriso preso à luz do néon e da noite,
um rasgo de amor voando nesse click
surpreende nossos olhos
é a vida ao sabor da vida
fugindo dos nossos corpos
e serenamente se tornando em maresia

Sfsousa/olharomar

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

e assim ...




Nas vozes existentes nas noites
que serenamente atravessamos
sinto a magia dos teus passos
e ao teu corpo envolto em chamas de desejo,
me declaro,

rasgo os bloqueios que tentam segurar meu prazer
e entro na doce boca do teu covil
entrelaço prazer e delírio em explosão
deixando amarras para trás

no teu corpo sinuoso retalho nosso prazer
para que dure toda a vida,
o suor escorrendo pelo teu corpo brilhante,

os teus braços dançando desgarrados em mim
me desenterram gritos há muito acomodados, esquecidos
e assim... vivo estou eu.

Sfsousa/olharomar

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Escuto teu corpo

Escuto teu corpo em silêncio

e em silêncio me vou deixando ir

nessa força que me dá vida

eu quero ficar sem partir

perseguindo minha sina

em silêncio fico

não te procuro

mas sempre te encontro

escutando teu amor em meu silêncio

em teu silêncio meu amor escuto


Sfsousa/olharomar

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Já fui


Já fui lua em teu redor
pétala brilhante
em rosa de sorrisos frescos,

já bebi teu sonho
imerso em todos os néctares
plenos de cor
e sedentos dum beijo

Já senti teu corpo
rasgando as cores do arco-íris
e no prazer que nos inventa...voei

Sfsousa/olharomar

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Respiro o vazio

Respiro o vazio que tua falta me faz,
carrego nas veias o sangue perdido,
mas lentamente desperto
e para ti,
em mim,
permaneço vivo,

acordo para esta realidade
que recordações nos envia,
mas o vazio aí permanece sem luz
e sem sentido,
é vazio até à medula de cada corpo,
despojado de tudo
e o nada como se tudo possuísse

mas um pequeno ponto branco surge,
brilhando, neste vazio infinito,
carrega essa esperança acorrentada
por enquanto não perdida,
é o amor numa réstia de vento transportada,
o toque dum sopro profundo
o acordar devagarinho,
dum sonho pleno de vida

e esse ponto pequeno e brilhante
explode em foguetes de alegria
disparando em todos os sentidos,
a luz tomando conta de ti,
do teu buraco negro,
na alegria cativante que teu olhar desperta
abre teu coração
reclama teu amor e tua vida
e festeja essa vitória que é só tua

Sfsousa/olharomar

sábado, 5 de setembro de 2009

Me tocaste






me tocaste

nos meus sonhos

como se teus sonhos

me beijassem


me tocaste com a luz

que te ilumina

e meus olhos perseguem,


me tocaste com esse ar

sereno e só

nas rimas dos teus versos escondidos


tocando de leve

me amaste

com uma parte de ti

que procura

uma breve e doce loucura

com teus versos de amor

me tocaste


Sfsousa/olharomar

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

sinto a falta




Sinto a falta
do sol, do mar
e das lágrimas de sal
transformadas em cristais
de cores brilhantes,

Sinto a falta
do alçar do teu braço
e do encosto
no teu ombro

Sinto a falta
da paz reclamada da lua
e dos beijos que selou

...eu que sou poema de amor em verso por chegar

Sinto a falta
do ultimo céu
e do teu coração brilhando
nas marés escondidas

Sinto a falta
da areia macia brincando
nos teus pés
e da espuma branca
das ondas bravias

...eu que me tornei em azul e mar

Sfsousa/olharomar

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Já não há


Já não há
canções nem marés
em espera,
agora que te ausentas,
és brilho de rio
em suspenso no teu mar
e vazio
guardando meu olhar
Sfsousa/olharomar

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Olho o mar...



No outro lado do oceano

Nas mesmas águas transparantes

E vivas que nos chamam

Fecho os olhos


E as lágrimas de meus olhos

Em mar se transformam

Na esperança vã

Que alguma das ondas

Que te envio

Recolha pedaços teus


E regresse através desse oceano

De ondas revoltas

Mas de dádivas imensas


E eu marinheiro perdido

Recolha em meus olhos

As tuas lágrimas ao mar derramadas

E nessa imensidão perdidas


Sfsousa/olharomar

foto de Antonio Cravo


sábado, 1 de agosto de 2009

Olho o mar

Olho para o mar

e nele navego

meus pensamentos inquietos

de marinheiro sem porto,

Vejo entre a turbulência

das águas

a limpidez da tua pele

esvoaçando carícias

na serenidade dos teus olhos

e qual marinheiro sem navio

navego nas águas

que te dão vida

e num acordar que não pedi

te acompanho ao largo


Sfsousa/olharomar

sexta-feira, 24 de julho de 2009

QUE...

Que a lua

se aproxime

E seu véu

a terra cubra

Metade de mim

é aurora,

a outra metade

penumbra


Que os homens

se perdoem

da destruição

deste mar

Metade de mim

é terra,

a outra metade

teu lar

Sfsousa/olharomar


sexta-feira, 17 de julho de 2009

Que....






Que a humanidade
reclame das guerras
do ódio sem sentido
às ruas atirado
Metade de mim
é pranto
a outra metade
soldado

Que a musica
que oiço distante
seja musica
que não acabei
Metade de mim
é esperança
a outra metade
nem sei
Sfsousa/olharomar
foto de Augusto Pombo

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O fogo final


Entretanto surge a meia-noite,
0 inesperado toque das badaladas à espreita,
a música amparando seu embalar e seu ritmo,
as pessoas fugindo para outros sítios onde pudessem desfrutar
do tão esperado fogo de artificio
já que festa sem fogo de artificio de orgulho para todos,
não é festa.

E nós lá fomos
na procura de um bom lugar para admirar o lançamento dos foguetes
nos quedamos pela roda da igreja,
num varandim com vista para a rua,
um plano superior onde se avistavam as pessoas,
os seus cumprimentos e saudações,
os candidatos a políticos agrupando-se num riso desnecessário
em conversas sem sentido,
para se tornarem notados,
esperando que o fogo de artificio lhes traga o valor do oiro e o brilho das estrelas,
mas não,
são simples humanos e a multidão que por eles passa nem os reconhecem
…triste manifestação de intenção política e de aproveitamento popular,
nas derradeiras tentativas para serem apreciados e vistos,
como se os valores da vida e da personalidade
fossem festa e balança por um dia.

Eis que surge o fogo por todos esperado,
o primeiro foguete,
um enorme petardo que até assusta
desperta os animais recolhidos na sua toca
dando inicio ao fogo-de-artifício,
as pessoas todas de olhos postos no céu,
abrindo a boca de espanto
sempre que surgia novo foguete
com nova cor ou novo desenho no céu
e foram muitos foguetes,
desiguais e de cores diferentes que surgiram nesse céu negro,
como se bailassem diante dos nossos olhos em coreografias de estrelas
e nós seguindo seus sons e seus rastos
até se perderem no ar e no pensamento,
dissolvendo-se no céu,
mas guardados nos corações de todos,

E assim recolhendo a nossas casas,
se acabou a festa e a procissão,
ficam as memórias para sempre
e com a vontade de continuar a tradição da nossa terra e nosso viver,
partimos de novo para os braços do nosso amor
e para o ninho do nosso querer.

sfsousa/olharomar