terça-feira, 2 de junho de 2026

CIDADE DO PORTO - Visita á Igreja de S. Francisco, Rubeira, Guindais, Sé e Miragaia (em 22 Novembro 2009)

  PORTO -  VISITA À IGREJA DE S. FRANCISCO, RIBEIRA, GUINDAIS, SÉ, MIRAGAIA.


Resolvemos neste dia,

ao invés de pensar nas visitas que fazemos nas nossas saídas e escapadelas por este país fora,

visitar o que de tão perto no cerca e as belezas que nos piscam os olhos todos os dias

quando calcorreamos suas vielas e passeios e não damos nem um pouco conta desse prazer

que é conhecer a nossa cidade, os monumentos e as memórias perdidas no tempo,

mas que tão perto estão e nos tocam.


Encontramo-nos na rotunda da estrada D. Miguel com  mais 2 amigos e, todos juntos,

nos metemos à descoberta dessa cidade do Porto,

que tão perto está e que inconscientemente tendemos a esquecer da sua história e das suas memórias

escondidas em cada pedra e em cada viela.


Estacionamos em Miragaia, perto do largo do Lourenço na zona histórica,

um amontoado de casas parecendo que se agarram desesperadamente para não cair,

as varandas coloridas, com vasos de flores garridas e verdes, debruçados para a rua,

publicidade a restaurantes, a casas de fado e um emaranhado de fios

e antenas de televisão que de tão desordenado, tão interessante se torna.


Partimos a pé, à descoberta da nossa cidade,

com o primeiro objectivo de visitar a igreja de S. Francisco,

rodeada de monumentos históricos e belos, o palácio da bolsa,

a Ribeira, a Associação Comercial Portuense, a ordem de S. Francisco, etc.


Aí estamos, comprando os bilhetes para a entrada no Convento de S. Francisco, 3,5 euros cada,

mas valeu bem a pena.


O funcionário solícito e amável, nos convida a esperar um pouco,

que nos acompanharia numa visita guiada e esclarecedora.


Visitamos um pequeno museu,

com figuras espectaculares de alguns santos, de S. Francisco, relicários em ouro,

peças de porcelana valiosíssimas e seguimos pelas catacumbas,

um local onde estão sepultados os benfeitores desta ordem,

com os seus nomes devidamente anotados nas paredes

e partilhando em morte da vida desta igreja de que foram seus seguidores e seus benfeitores.


Dirigimo-nos para a porta principal de entrada da igreja,

entrando e assistindo a esta visita guiada,

admirando a excelência dos trabalhos de imensos artesãos

que dedicaram sua vida e sua arte a deslumbrar as gerações vindouras com as peças da sua paixão,

retratando sempre motivos religiosos, momentos de dor e de fé dos franciscanos

que deambularam por todo o mundo, pregando a palavra de Cristo.


São trabalhos de uma paixão, de uma qualidade e sensibilidade artística imensas,

cada quadro despontando sua vida e contando sua história.


Foi-nos explicado que algumas peças estavam danificadas,

tentando ser restauradas com paciência e carinho,

algumas delas destruídas durante a época das invasões francesas

que fizeram da igreja de S. Francisco suas cavalariças

e destruíram peças preciosas na tentativa de roubarem as folhas de ouro que as revestiam.


Valeu a pena e valerá a pena  visitar de novo esta pérola que é a nossa cidade.


Passamos depois pela ribeira, palco das noites e da folia dos jovens aos fins-de-semana,

neste dia dormindo descansada,

os barcos de passeio seguem pelo rio acima, passando por nós e pela ponte D. Luis,

deixando no seu rasto um cheirinho do desejo da partida

e trazendo-nos um traço de néctar do Porto no seu olhar.


Do outro lado de Gaia,

as caves e os nomes das marcas do vinho do Porto

emprestam à paisagem uma nostalgia que os barcos rabelos acostados na margem,

com as suas pipas vazias de vinho,

nos pedem à imaginação que os deixem continuar

e os lembremos como se nunca tivessem parado.


Seguimos por esta margem do rio Douro,

esta beira-rio que nos seduz e resolvemos visitar a Sé e subir no elevador dos Guindais,

a primeira vez para alguns de nós e, partimos morro acima,

subindo para o topo da cidade e alargar os horizontes,

desfrutando da vista que nos emociona.


Chegamos à Sé, de onde temos uma vista privilegiada sobre todos os cantos da cidade

e vemos a Av dos Aliados, a estação de S. Bento, a torre dos Clérigos, o Douro,

o casario desalinhado entre ruas sinuosas e apertadas com histórias de vida que não se contam,

mas que se sentem em cada calçada e em cada pedra arrancada.


Visitamos a Sé e como o tempo era apertado,

deslizamos pela encosta, percorrendo essas ruas estreitas,

de cheiros peculiares e vidas nocturnas penduradas nas paredes das casas de fado

que se insinuam perante os nossos olhos,

com fotos dos fadistas apelando a uma visita, ruas escuras,

casas com vasos de flores nas varandas e verdes subindo pelas paredes,

as casas fechadas, algumas em ruínas ameaçando cair

e a vida correndo para a noite,

a maioria permanecendo quieta e sem movimento durante a claridade do dia.


Fomos descendo até à Ribeira, de novo.

O dia começava a escurecer e a noite começou a tomar conta da cidade.

Eu e o Germano esperando que o resto da comitiva pusesse a escrita em dia,

na porta do beco onde resolveram parar,

até que decidem retomar o passeio e caminhar para o estacionamento e para as viaturas,

na despedida duma tarde na cidade sem o barulho e a correria da semana,

quase só nossa.


O dia estava escurecendo e a caminhar para o seu final e a hora do lanche já tinha passado,

mas depois deste percurso e destas horas divertidas e generosas,

resolvemos comprar algo num supermercado, pôr a mesa em casa da Luísa

e acabar o dia relatando esta experiência,

apercebendo-nos que precisamos de sair mais vezes para a nossa cidade,

que está já ali, quase nos tocando a face

e que muitas vezes os seus recantos e historia não conhecemos por passar apressados,

distraídos, sem um olhar merecido lhe dedicar.


sfsousa


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