domingo, 25 de maio de 2008

Gostava de falar de amor

Depois do jantar habitual e regular com os amigos, eis que chego a casa, tarde por sinal, cansado mas com vontade de algo escrever e com todos na cama, me dou comigo a divagar, sem saber o quê mas a escrever e, de algumas coisas escritas, que ficarão por postar, aqui vai o primeiro, realizado por volta da 01:20 deste novo dia que se avizinha, 25 deMaio, cinzento e negro, de chuva bafejado, mas não esmoreço e antes de me deitar eis que ganho coragem e finalmente escrevo e aqui posto parte do que agora escrevi, o resto certamente será postado, um dia...


Gostava de falar de amor,
daquele amor que não se vê,
nem se pode esquecer,
daquele amor que não sabemos como
mas ele aparece,
aparece sem que te apercebas,
aparece sem saberes que existe,
é esse amor que um dia quando sais de ti
encontras na rua,
no sorriso de todos,
em cada gesto desprendido,
é amor quando não passas nesta calçada
mas eu oiço teus passos,
esse amor que nos toca a todos
e não é possível recusar,
é amor de musica composto
sem saber que notas tocar

sfsousa/olharomar

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Açores

AÇORES - beleza rara, verdes campos, gente boa.

Outra viagem dos nossos sonhos, de saudades que ficaram, das flores dispersas, das simplicidades existentes, do verde que nos persegue por todo o lado, abraços que ficaram e que hoje distantes, me chamam. Açores a voltar um dia quando a nostalgia já não se conseguir acorrentar.
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sexta-feira, 2 de maio de 2008

Por uma fresta


Recebi teu amor no vento
E a janela do meu quarto abri,
chegou com o despertar da aurora
e a brisa suave da manhã
na minha cama o aconcheguei,
meus braços, meu corpo,
meu ar, meu sopro,
minha vida lhe dei,

Emprestei-lhe teus aromas
há tanto tempo guardados
nas viagens de carinhos carentes
e nos desejos em ti escondidos,

Por teus sonhos vagueei
a janela do meu quarto abri
e no vento que teu amor recebi,
meu amor em teu vento enviei

Sfsousa(olharomar)

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Portugal - 25 de Abril


Hoje resolvi postar algo que escrevi em 23 de Abril de 1999 e hoje, nesta ocasião, sinto fazer sentido:

Portugal país de marinheiros
Que um dia se fizeram ao mar
Embebidos em laços de areia e vento
Procurando novas saudades,
Raiando novos tormentos,
Fugindo do seu próprio seio
Que murchava desgastado
Desesperado por sangue novo,
À vela, a nado, em frente
Seguia insistentemente
O coração grande dum povo

Muitos foram o que delapidaram a sua nobreza,
Recalcaram os seus sentidos,
Paralisaram a sua vontade,
Imensas agressões lhe deram ânimo e certeza
Que um dia, com a chegada da aurora e da verdade
Soltaria livremente os seus filhos e seus medos
E tranquilamente, voaria para a liberdade

Sem ser escritor ou poeta nascido
Algo surgiu do meu pequeno nada
Escrevendo sem ser leve ou subtil
Deixo o jornal vagamente lido
E à esperança, ao futuro, a tudo,
Eu dedico Abril

Pensei ainda, que mais escrever
Se tudo o que tinha de ser dito, assim foi,
Penso em tudo que estas gerações,
Nascendo sem saber o bom que é, o mau que foi,
Restar-lhes as lembranças mal contadas,
Vezes sem conta por ninguém
Cuja memoria no tempo se perde
Das formas que mais convém.

A passo dado com a vida,
Seguimos caminho adiante
Abrindo nossos corações ao mundo,
Relembrando velhos tempos
Que um dia nos fez navegantes
E com esse mesmo espírito ardente
De poetas, cantores, artistas, artesãos,
Todos seremos finalmente
Amigos de todos e de todos a
mantes.

sfsousa(olharomar)

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Como se verdade fosse



Como se verdade fosse,
Um pensamento me surge,
E divago sozinho

Pensamento colorido,
Coisas boas nos tocando
Como brisa de verão

Corpo leve voando,
Sorrindo a quem passa breve
Seus sonhos levando

E nesse teu corpo ausente passeando,
…Deliro contigo
Como se verdade fosse


sfsousa (olharomar)

terça-feira, 8 de abril de 2008

Num abraço

Num abraço me tens,
Basta olhar em redor
Fitar o vento nos olhos
E deixar o cabelo voar
Meus Vaga-lumes te iluminando
Desfazem teu esquecimento
E voltas para mim teu olhar
Despertando estes pirilampos
Soltas tuas luzes de amor
Iluminando novo despertar
sfsousa(olharomar)

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Doce Outono


Viajo por países de ti distantes,
Procuro teus cheiros em vão,
Corro por ai sem destino
E me fascino
Por esse amor que sei que aí está
E em folhas de Outono se desfaz

Que me chega cedo demais
E me aproxima do seu calor de Verão,
Passo a mão pela Primavera dos seus cabelos
E o Inverno apertado se desvanecendo
Breves abertas me deixa,
É Outono
E neste reviver as estações procuram o teu olhar
Que no Outono parou
E mesmo não querendo
Com suas folhas caídas me envolveu
E de leve tocou,
De mansinho,
Devagarinho,
Como uma flor a desabrochar seu véu,
Pulsando seu sangue, esvaindo seu fel
Regando suas pétalas de orvalho
Com néctar de sabor a mel
Em teu perfume transformado

Sfousa (olharomar)

segunda-feira, 24 de março de 2008

Maresia me despindo


Versos de calma em frente ao mar,
Maresia me despindo
Em teus braços de sal me transforma
Me roubando minha defesa e meu ar
Deixando que a água me possua
Me levas a passear no teu mar
Tal sereia cantando, bela e nua
És sereia aos sonhos resgatada,
E nessa imensidão de arrepiar
Essas estrelas que a teus olhos sua luz dedico
Me acordando neste meu mar sentido
Me deixam sossegar,
Nesse mar se deitando
E nas tuas águas agitadas de dor
Partilhas essa dor comigo
Em tuas águas de amor navegando


sfsousa(olharomar)

quinta-feira, 20 de março de 2008

Um pássaro (cont)



E neste outro lado da janela
Sobre a qual estou debruçado,
Das saudades me despeço
Esse pássaro de cores brilhantes
Brilhou nos ares e se foi
Em fumo de pesar que não dói
Deixando sua alegria e amor aconchegados
E ao longe,
Do outro lado dessa janela
Pela qual repartimos nossos olhares,
Me arrepio de seu pio deslumbrante
Tal silvo estridente
Que só teus sentidos perseguem
E sem saudades acabam
sfsousa

quarta-feira, 19 de março de 2008

Um pássaro


Um pássaro hoje minha face beijou,
Asas de leve batendo,
Sua breve brisa me tocou
Me contagiando com sua alegria e liberdade
E com um piscar de olhos
Suas asas levantou
E uma pena me deixa,
Pena colorida
As cores do arco-íris aí libertadas
Os amores do mundo contemplados
Por essa pena órfã de amor
Às outras penas arrancada

sfsousa

domingo, 16 de março de 2008

Tinha pensado nada escrever mas eis que voltando com novo aparelho, já que o outro se foi, resolvo em vez de postar algo de novo entretanto escrito, postar sim um rascunho de algo que escrevi há tempos e do qual não me desfiz, foi postado rectificado, relido e contra o meu sentir, pois penso que o que melhor se poderá escrever será o que sai e imediatamente se coloca pois repensando, alegrando com palavras bonitas, com rimas de ocasião etc, as vogais perdem o sentido e as consoantes se desfazem.
Sendo assim e querendo homenagear esses rascunhos perdidos, para outros irmãos de ocasião, aqui fica o rascunho que deveria ter sido postado na devida altura mas não foi:

Esta vida é louca
É vida que não sendo demasiada
É vida desabrochada e sentida
E pode ser vida amada e respeitada
Pois o sentido de tudo
Pode acabar por surgir
Bastando ter um abraço quente
Ser um ombro amigo
Ser uma palavra aconchegada
Ser um grito de esperança
Ser um uivo de despertar
Ser um alerta desejado
Ser um sorriso sincero
Ser uma palavra amiga
Ser um pedaço de pão
Ser um olhar meigo
Ser uma carícia não pedida
Ser um beijo apertado
Numa face escondida

sfsousa

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

até que chegues


Até que chegues

Explodindo de amor e sentimentos

Me deixo ficar

Neste meu sono frio e profundo

Com imagens bailando

E contigo sussurrando

Leves uivos de amor dedicado e consentido

E em sonhos me levanto

Sem nunca te alcançar

Me perco como sempre

Nestes silêncios que não acabam

E se multiplicam eternamente

Sfsousa

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

de noite


Mesmo sem intenção cá estou de volta com os meus uivos:

De novo o escuro da noite cai

E tu não voltas

Pois o sonho acabou

E eu lobo negro da alcateia fugido

Aproveito a escuridão da noite

E nela me refugio

Até que outra loba

Destes meus sonhos me acorde



The darkness of the night falls again

And you do not return

Since the dream finished

And I black wolf of the pack escaped

I use the darkness of the night

And I take my refuge

Up to what another she-wolf

Of these my dreams wake me



sfsousa

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

o azul do céu

Eu nasci com o azul do céu me tocando

E esta vida percorro vagueando

Pleno de sentir

Amizades conseguidas

Em verdades erguidas,

Felicidades partilhadas

Com amigos do coração

Louvando com satisfação

A sorte que nos tocou,

O vento nos abraçou

E como esse azul do céu

Meus amigos são teus

E em amor partilho

Estes meus tesouros contigo


I was born with the blue of the sky touching myself

And I’m going through this life wandering

Plenty of feeling

Having got friendships

In raised truths,

Shared Happiness

With friends of heart

Praising with satisfaction

The luck that touched us,

The wind hugged us

And like that one blue of the sky

My friends are yours

And in love I share

All my treasures with you


sfsousa

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Te amo

Dando um pouco de descanso a esses meus UIVOS e fazendo jus a uma opinião de quem prezo, hoje ao invés de postar algo sobre os UIVOS que ainda não se esfumaram, sai um poema que espero que todos os que por aqui vão passando, desfrutem de o ler como eu o desfruto ao escrever e que as suas opiniões boas ou más, mas verdadeiras e sinceras sejam expressas, pois sendo opiniões verdadeiras são acolhidas com a mesma estima.

Eu te amo com a força das tempestades e das marés

Te amo com o silencio das madrugadas,

Eu te amo com a alegria de quem é presente e se foi,

Te amo com o passar dos tempos que não registo

Eu te amo com esta alegria que não se acaba,

Te amo com este sabor de sal em olhos não desbravados,

Eu te amo na viagem destes raios de sol que de tão quente nos arrebata,

Te amo com todas as consequências e todas as virtudes,

Eu te amo como és, simples e inocente, dolorosa de tanto amar,

Te amo mesmo doendo de tanto querer

Eu te amo sem rede em salto de equilibrista destemido,

A vida nas tuas mãos…eu te amo.


I love you with the strength of the storms and of the tides

I love you with the silence the dawns,

I love you with joy from who is present and went away,

I love you in spite of spending the times that I do not register

I love you with this joy that never finished,

I love you with this taste of salt in not explored eyes,

I love you in the travel of these rays of sun that of so hot snatches us,

I love you with all the consequences and all the virtues,

I love you as you are, simple and innocent, painful of so much loving,

I love you even hurting of so much wanting

I love you without net in jump of fearless equilibrist,

The life in your hands … I love you.


Sfsousa (olharomar)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Tal lobo faminto

Tal lobo faminto

Saí de madrugada,

Abandonei a alcateia

E voei pelos espaços livres

Dos teus sonhos

Percorri teu corpo de loba,

Passo a passo,

Gozando momento a momento

As lágrimas frias de orvalho

No teu corpo contidas

E bebi,

Bebi da tua pele e da tua beleza

E o meu desejo de ser lobo

Em lobo me tornou

E tu loba branca de olhos cerrados

Não acordaste.

Estás aí

Mas não existes


sfsousa

Such a hungry wolf

I left from dawn,

I left the pack

And I flew for the free spaces

Of your dreams

I went through your body of she-wolf,

Step by step,

Enjoying moment at moment

The cold tears of dew

In your body contained

And I drank,

I drank of your skin and of your beauty

And my wish of being a wolf

Into wolf it made me

And you white she-wolf of thick eyes

You did not wake up.

You are there

But you don’t exist

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Nossa viagem

Desapareceu a lua cheia

E a nossa viagem

Por todos as veias do nosso corpo

Que desesperadamente rasgamos,

Já se foi,

E aqui ficamos

Meio lobos meio humanos,

Amando de novo em silêncio,

Perdidamente,

Como se nunca

Nos tivéssemos transformado

sfsousa

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

e aqui te espero


E aqui te espero

Fiel aos nossos cheiros,

Corpo pleno de anseio,

Atmosfera apanhada em contraponto,

O nevoeiro saindo e tu chegando…

De dia meia loba, meia mulher,

De noite meia fera, meio prazer,

Desafiando meus desejos

E perdendo teus uivos.

sfsousa

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Escrevo


Escrevo porque escrevo,

escrevo por que sinto,

não sou árvore nem jardim,

apoteose ou clarim,

sou um simples arlequim

que escreve porque escrevo

e se solta para mim,

escrevo porque escrevo

sem doutos conhecimentos enfim,

sou um imberbe de poesia,

deserdado da rima,

mas é assim, ela solta-se e sai,

voa, rodopia e cai

e de novo escrevo porque escrevo,

me levanto e de passo inseguro prossigo

escrevo e não rodopio,

palavras buscando alegria

escrevo porque escrevo

letras soltas da minha fantasia.

SFSOUSA

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Meu Carnaval

Carnaval que de alegria me chega
e para outros céus me desperta,
esse sussurro de amor te agradeço
por em imaginação me ofereceres
este Carnaval que não me mereço
e neste sonho passageiro que respiro,
desse chamamento de amor me despeço,
enviando esta mascara
que a ti pertenceu e meu coração liberta

sfsousa

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Perdidos



Por trilhos escondidos nos perdemos

Sem nunca nos alcançarmos,

Mas a lua que guia nossos corpos

Nos revela seus caminhos

E por momentos te deitas

Até que outra estrela acorde

E desperte meus sentidos,

De lobo á espreita em cada caminho,

Clamando pelo amor que enviado te foi

E que o teu uivo com a aragem da noite

Me seja devolvido

Pleno de chamamento

E de esperança renascido

sfsousa

domingo, 27 de janeiro de 2008

E na noite

E na noite

O silêncio continua penetrante

E eu solenemente me aproximo

Da colina mais alta

Para daí te poder alcançar

E á lua uivar,

Procurando que me traga no vento

O teu odor de loba suada

Em busca desejada

sfsousa

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

De novo o silêncio

De verdade, tenho enorme dificuldade e porventura uma visivel falta de geito para encontrar fotos que possa tentar de algum modo enquadrar em conjunto com o que escrevo mas de verdade é um trabalho árduo e seguramente nada conseguido. Hoje tinha pensado em recomeçar a escrever "OS UIVOS" e fui procurando por essa net fora uma foto com que puedesse começar esta postagem mas...nada, e, eis que quando já pensava desistir encontrei um foto dum excelente fotografo português, DUARTE ALMEIDA, que me atrevo a pedir emprestada para aqui postar e que me perdoe por este abuso:

De novo o silêncio

Chegando com a aurora,

Os corpos á espreita,

Os olhos movendo-se

Atropelando os sentidos

Que percorrem nossos corpos

Em ritmo de cavalgada alucinante

Na procura infindável

Da tua boca e dos teus beijos

Que se perdem

Em cada madrugada.

sfsousa

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

CHOCOLATE BRANCO

O chocolate branco

Também me toca

Mais quente e macio

Traz na boca

A duvida por um fio

De ser chocolate sentido

Mais calmo e doce

Como se mel fosse

Eternamente mais tranquilo

sfsousa

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

CHOCOLATE NEGRO

Chocolate negro

De boca ardente

Lábios vermelhos

Olhos rasgados

Nesse tão negro

Que cada gota derramada

Desse teu chocolate

Colhido entre tantos ais

Em lágrimas negras

Se derrete e se esvai


sfsousa

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

CHOCOLATE

Chocolate branco

Chocolate negro

Que chocolate me apraz?

O negro

Me arrepia de bom

Profundo e tocante

Belo de tão apertado

É puro e apaixonante

Suavemente amargo

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Até um dia Cabo Verde... até um dia

CABO VERDE

Hoje resolvi escrever sobre Cabo Verde, uma visita apressada á Ilha do Sal, bela e assustadora, plena de sol e de chuva sedenta, presenteando a nossa chegada com um sopro de calor dessa Africa selvagem, que nos vai rodeando e de humidade nos reveste.

Saída do aeroporto e lá está a nossa guia, simpática como todos os locais, dirigindo-nos para essas carrinhas antigas com atrelados a recolher as malas, e lá vamos nas camionetas desengonçadas que nos surpreendem como ainda se vão conseguindo mover nesta noite negra e de luzes abandonadas, certamente terão imensas historias para nos contar dessas suas inesquecíveis viagens.

Primeiro dia, aproximação e surpresa pela beleza do que foi erigido em tão árido local, as pessoas simpáticas, a mesma língua nos acompanhando e assim lá fomos desenvolvendo conhecimentos, gozando em pleno os nossos corpos nessas areias brancas e águas tão límpidas, transparentes e insinuantes, reclamando nossos corpos para as suas ondas nos poderem beijar.

Resolvemos fazer uma viagem de reconhecimento ás miragens e olho de água e lá nos metemos ao caminho nos jipes alugados para o efeito e lá fomos cabelos desgarrados, um lenço para trás deixado, um boné que da cabeça fugiu e não parou, por lá ficou, quilómetros percorridos em terra batida sem nada em redor, as arvores e vegetação fugiram pois a água as abandonou, mas eis que em direcção ao mar, chegamos a um sitio belo de tão só, uma barraca de madeira isolada, vendendo suas cervejas de aparência fresca, africanos doutras paisagens, vendendo suas bugigangas e uma piscina artificial entre rochas vulcânicas esculpida.

As roupas despidas num ápice e sem muito pensar, de cabeça mergulhamos nesse mar azul e desperto, sentindo fervilhar a sua vida e a juventude deste país palpitando, lançando suas ondas de amor abraçar estas rochas perdidas no meio de nada.

Nesse caminho desbravado para ver as minas de Sal, os banhos nessa água tão densa que deixava nossos corpos em suspenso, flutuando, não conseguindo tocar o seu leito azul e denso, convivemos com alguns seniores que doutra ilha vinham, sobretudo da Ilha de Santiago, e com a facilidade imensa que a mesma língua vai acolhendo outras culturas e outras gentes, aí começamos a falar, trocar ideias, desejos e sonhos comungados por todos, nas promessas de um dia aí voltar, tocar de novos os olhares dessa gente e nos alegrar com seus olhos brilhantes de poder imenso apesar de terem quase tudo de nada.

Vimos casebres de zinco, casas desconexas e vilas de vidas adiadas por falta de possibilidades oferecidas, vimos gente, gente de sorriso nos lábios, de coração aberto, vendendo aquilo que conseguem inventar, para no outro dia carregar de novo os mesmos pedaços de nada e alegremente recomeçar.

Vimos crianças soltas brincando em união, no recreio da escola, as dificuldades para trás, rodopiando no ar uma alegria e esperança que contagia, um poder que nos abraça, uma vontade de conseguir vencer que a todos arrasta e sente-se que hão-de vencer adversidades, hão-de libertar seus sonhos e viver, viver com o encanto dessa esperança e verdade que carregam em seus olhos e nos seus rostos, e viver felizes…merecidamente.

Vimos saudade enquanto partimos, deixamos ais em vão repetidos, arrumamos os corpos e bagagens, e na quietude da viagem os pensamentos de todos se cruzaram e em uníssono o desejo de voltar ficou, cruzou os ares e se soltou… até um dia Cabo Verde…até um dia.


Escrito em 17/01/2008 antes que se dissipem as lembranças e a memória me atraiçoe (sfsousa)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

AMANDO LOUCAMENTE

no seguimento do que fui escrevendo, em uivos lançados, aqui deixo:

E amando loucamente

Nossos corpos fundidos

Por momentos de êxtase e prazer,

As garras despedaçando

Todos os sentidos,

Á espera do quente bafo da noite

Partilhamos… repetidamente,

Gestos naturais de amor e paixão

Que chegam perdidamente.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

VIDA "por Joana de Sousa"


Resolvi começar este ano a colocar um post de algo escrito por uma das minhas filhas que envergonhadamente lá vai escrevendo algumas coisas e nada mostra, pensando que podem não estar bem escritas ou que ninguém lerá ou apreciará, eu, com este orgulho e entusiasmo de pai, consegui que me mostrasse algo e que aceitasse partilhar neste meu blog o que assim escreveu:

A vida constrói-se através dos confrontos, das lutas constantes para alcançar o mais, o melhor...
Cabe a nós permitir-nos saber, que passo havemos de dar, para esses confrontos ultrapassar.
É uma luta de sentimentos e obstáculos; uns fáceis, outros mais difíceis.
É uma procura pelo agir bem, sem magoar ou ofender alguém.
Quando somos confrontados, ficamos revoltados, pensando que nos querem reduzir á insignificância...
Mas isso, é o ego magoado a falar; pois se reflectirmos racionalmente, acabamos por concluir, que quem sai magoado, é aquele que por vezes, inconscientemente, tendemos a "maltratar".
Devemos saber reflectir e ponderar sobre todos os danos, tanto os do próprio como os dos outros...
Só assim conseguiremos saber lidar com os difusos sentimentos que estes confrontos podem despoletar.
“De: Joana de Sousa”

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

A TODOS OS AMIGOS DE VERDADE


Recebendo um mail de um ex-colega sobre o encontro anual, remetido para esta altura do ano, recordando que a amizade é mais que estar um dia juntos, questiono-me se não seria necessário um esforço, por muito pequeno que fosse, para nos lembrarmos da ultima vez que nos vimos, conversamos ou estivemos juntos, me surpreendi com tal pertinência e nesse encontro anual e regular, no restaurante de paredes frias e de lembranças postas na mesa, o fogo da lareira comungando nosso calor e despertando nossas recordações entre risadas e manjar apreciado, nos deixamos levar de volta ao passado e nesse outro lado da vida que em paralelo corre, apercebo-me de quão grandes são os pequenos momentos em amizade conseguidos e assim:
Neste Inverno, final de ano frio,
Uma chama me invade,
Se multiplica e me aquece,
As amizades que cultivei
Permanecem vivas, sempre presentes,
Morando aqui, em mim,
Mesmo ao lado,
Regadas com lágrimas de sentimentos partilhados,
Com amores de corações abertos
De tolerâncias conseguidas
Acampou em todos os amigos que de mim fazem parte
Distribuindo prendas de amor
Despertando a esperança nas estrelas em nós escondidas,
Nos regando com suas luzes e sonhos, partilhando nossas vidas,
Alegrando nossa amizade
sfsousa

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

DEIXA O AMOR ENTRAR (cont 2)

Deixa o amor entrar

Ele está a teu lado,

Na tua vida, nos teus poros

Deixa ele voar pelo teu corpo

Devorar cada lágrima, respirar teu sopro

Surgir em cada gesto

E tal estrela nos céus, entre muitas brilhando

O farol da razão, iluminará o coração

Desse amor a teu lado, bailando

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Deixa o amor entrar (cont.)

Deixa-te levar por esse amor

Ao alcance da tua mão,

No aconchego do teu leito,

E perdoa

Se ele não sabe bailar

Mas levanta e voa

Pois sempre juntos

Mesmo entre tormentas

De ondas fortes e violentas

Alcançaras o rumo perdido

E Tudo…

Tudo fará sentido

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Deixa o amor entrar


Deixa o amor entrar

Agarra na sua mão

Levanta os pés do chão

E baila loucamente

E por momentos sê onda e mar,

Sê paixão e chama, sufoco e ar

Dessa alma gémea fugidia,

Amada eternamente

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

BUSCA



Busco tua alma
Em silêncios repetida
E desfaço meus lamentos
Em uivos rasgados,
Nesta minha alma em pedaços dilacerada
Pelas imensas madrugadas de espera
Que o nosso amor aconchegou
Em inocência desejada

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

ONDA COM CRISTAIS DE ESTRELA




Voltaste e aqui estás
liberta de todas amarras
que teimosamente te seduziam
e te aprisionavam,
mas enfim livre voltas
e soltas teus cânticos e nós,
todos nós,
que deles bebemos, nos soltamos também
e nos teus versos voamos,
vagueando saudosos e perdidos
buscando esses olhos verdes que adoras
e os remetendo à tua praia de sonho,
esse fruto de uma tempestade de amor
que teu mar abraça de novo

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

que face me destino


Em suplicas me desdobro,

Á volta desta minha outra face

Que veste a pele de homem acossado,

Sem saber se me destino

Em ser lobo só e faminto

Alimentando-se da ilusão,

Dos sussurros da escuridão

Que teus raios de sol vão abrindo

Me regando com tua paixão

E tua liberdade,

E em paz jogo esta liberdade

De lobo sem destino

Ás imensidões das pradarias,

Nas estepes relegado

Deixando minha vida de lobo

Suspirando nossas mágoas

sábado, 24 de novembro de 2007

em busca de pequenos olhares

Sinto a cabeça estoirando

Em busca de pequenos olhares

Que não voltam

Porque te foste e te perdeste

E eu louco em desespero

Neste céu vermelho

Me desvaneço

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Viagem a Santarem - entre lezirias e campinos

De saudades e de ausências me dispo

E nestes dias sem paz, revisito meus carinhos

Soltando meus fados, de viagem em viagem prossigo,

Nesta semana de incontáveis quilómetros,

Apreciando essas paisagens belas e calmas das planícies ribatejanas,

Com o Tejo beijando suas margens e nelas misturando suas águas e suas dádivas.

Sigo mergulhado em cheiros indistintos, sonhando, com os olhos postos na estrada,

Apreciando aves que nesse céu brilhante, sós como eu, se perdem

Repouso meus pensamentos até que nova paragem me acorde e os meus sentidos despertem

E nesta paragem que se aproxima, cedo e sem cor, saio

Visto este meu corpo com outras auroras, com outras faces,

Dos sonhos me despeço e na vida recomeço,

Uma visita contabilizando e aí estou na crueza desta luta,

Onde os sonhos se desfazem e a realidade de mim toma conta,

Deixo que outros sentimentos me possuam,

Desmentindo minha emoção, contrariando meu coração,

Indiferente a qualquer sentido

Sigo carregando meu destino,

A realidade acabando surgindo, mas com a chegada a noite,

Entra nos meus lençóis de mansinho e em sonhos me consola

domingo, 18 de novembro de 2007

EUROPA DOS PEQUENINOS

Depois de passadas algumas semanas, finalmente ganho coragem para postar um artigo que foi feito em 19 de Outubro quando se discutia o Tratado Europeu – ficou feito, na gaveta, envergonhado á espreita, mas hoje, apesar de tarde e podendo dizer-se em falta de contexto actual, mas para mim sempre presente e com a vida de todos nós arrepiada a cada dia que passa, e mesmo contra a minha vontade de escrever/postar prosa deste tipo, mas antes que o esquecimento tome conta, fica postado tarde, mas fica:

19 Outubro, dia memorável para a Europa, querida Europa,

Europa comandada por todos os tecnocratas que trocam de cadeiras, dançam entre si,

prometem favores e recebem outros, Europa de todos, mas só de alguns

e nós serenos, impávidos, mergulhamos nesta imensidão de mar e terra que é a Europa e nada … silêncio…palavras que contam, para quê??

Somos zero infinito do lado esquerdo dum decimal esquecido

– milhões de números de Europa desesperada, Europa dos cidadãos sem rosto,

Europa que não existe para nós, cidadãos de qualquer lado, a nossa parte jaz vencida,

foi vendida pelos nossos senhores, pelos grandes pensadores deste nosso pais

que nos vendem sem perguntar se queremos e constroem a sua Europazinha de Bruxelas,

de gabinetes luxuosos, secretarias elegantes, de champanhe com espumante, de favores imensos mergulhados em milhões de euros e a nossa Europa segue marcando passo, com milhões a lutar para sacudir o limiar da pobreza que se aproxima.

E oiço explicações incríveis dos senhores que noutros tempos a pedir votos andaram

para serem eleitos para essa espreguiçadeira dourada que dá pelo nome de Europa com tratado

e lamento a nossa falta de reacção quando dizem

“o tratado é tão complexo que a maioria das pessoas iria votar numa coisa que não entende”

Abrilhantam-nos a inteligência quando temos que decidir na hora do voto para as Legislativas,

Presidenciais ou Europeias, aí sim, somos inteligentes, o povo é sábio pois sabe bem em quem escolher e votar e não se deixa enganar … quantas vezes isto eu ouvi ?

Europa querida Europa para onde vais ??

Com gente que não se recorda do seu passado, que duvida da tua justiça, da tua coerência e do teu saber e facilmente esquece quem a mão lhe deu, a mão que o colocou nesse trono dourado, de luxos só para alguns, e assim te vendem não só a alma mas também a tua sabedoria, és povo e nada mais vales por momentos, és adulado por instantes, mas desse patamar não passas, és povo e povo deves continuar.

sábado, 17 de novembro de 2007

ESPERA


Esperarei por ti

Tal estrela esquecida e distante

Esperando ser de novo tocada

Por outro cometa errante

E na sua luz cavalgando

Esperarei por ti

terça-feira, 6 de novembro de 2007

regresso aos uivos

Recolho á minha toca

Com esperanças redobradas

Da primavera acolher meus desejos

E que com o seu despertar

Te possa trazer de novo a este nosso lar

E nesta nossa toca

Relembrar os cheiros desse amor

Que suspensos ficaram


domingo, 4 de novembro de 2007

BEIRA MAR


Hoje navegando neste imenso areal de cores irrequietas, nesta beira mar que nos desfaz todas as angustias e com o mar à espera, nesse horizonte que nos liberta e atrai, esse mar imenso que nos seduz e nos arrepia, convidando todos os corpos, de nós ausentes, na sua companhia navegar.