Basta olhar em redor
Fitar o vento nos olhos
E deixar o cabelo voar
Meus Vaga-lumes te iluminando
Desfazem teu esquecimento
Despertando estes pirilampos
Soltas tuas luzes de amor
Iluminando novo despertar




Até que chegues
Explodindo de amor e sentimentos
Me deixo ficar
Neste meu sono frio e profundo
Com imagens bailando
E contigo sussurrando
Leves uivos de amor dedicado e consentido
E em sonhos me levanto
Sem nunca te alcançar
Me perco como sempre
Nestes silêncios que não acabam
E se multiplicam eternamente
Sfsousa

De novo o escuro da noite cai
E tu não voltas
Pois o sonho acabou
E eu lobo negro da alcateia fugido
Aproveito a escuridão da noite
E nela me refugio
Até que outra loba
Destes meus sonhos me acorde
The darkness of the night falls again
And you do not return
Since the dream finished
And I black wolf of the pack escaped
I use the darkness of the night
And I take my refuge
Up to what another she-wolf
Of these my dreams wake me
Eu nasci com o azul do céu me tocando
E esta vida percorro vagueando
Pleno de sentir
Amizades conseguidas
Em verdades erguidas,
Felicidades partilhadas
Com amigos do coração
Louvando com satisfação
A sorte que nos tocou,
O vento nos abraçou
E como esse azul do céu
Meus amigos são teus
E em amor partilho
Estes meus tesouros contigo
I was born with the blue of the sky touching myself
And I’m going through this life wandering
Plenty of feeling
Having got friendships
In raised truths,
Shared Happiness
With friends of heart
Praising with satisfaction
The luck that touched us,
The wind hugged us
And like that one blue of the sky
My friends are yours
And in love I share
All my treasures with you
sfsousa
Eu te amo com a força das tempestades e das marés
Te amo com o silencio das madrugadas,
Eu te amo com a alegria de quem é presente e se foi,
Te amo com o passar dos tempos que não registo
Eu te amo com esta alegria que não se acaba,
Te amo com este sabor de sal em olhos não desbravados,
Eu te amo na viagem destes raios de sol que de tão quente nos arrebata,
Te amo com todas as consequências e todas as virtudes,
Eu te amo como és, simples e inocente, dolorosa de tanto amar,
Te amo mesmo doendo de tanto querer
Eu te amo sem rede em salto de equilibrista destemido,
A vida nas tuas mãos…eu te amo.
I love you with the strength of the storms and of the tides
I love you with the silence the dawns,
I love you with joy from who is present and went away,
I love you in spite of spending the times that I do not register
I love you with this joy that never finished,
I love you with this taste of salt in not explored eyes,
I love you in the travel of these rays of sun that of so hot snatches us,
I love you with all the consequences and all the virtues,
I love you as you are, simple and innocent, painful of so much loving,
I love you even hurting of so much wanting
I love you without net in jump of fearless equilibrist,
The life in your hands … I love you.
Sfsousa (olharomar)
Tal lobo faminto
Saí de madrugada,
Abandonei a alcateia
E voei pelos espaços livres
Dos teus sonhos
Percorri teu corpo de loba,
Passo a passo,
Gozando momento a momento
As lágrimas frias de orvalho
No teu corpo contidas
E bebi,
Bebi da tua pele e da tua beleza
E o meu desejo de ser lobo
Em lobo me tornou
E tu loba branca de olhos cerrados
Não acordaste.
Estás aí
Mas não existes
Such a hungry wolf
I left from dawn,
I left the pack
And I flew for the free spaces
Of your dreams
I went through your body of she-wolf,
Step by step,
Enjoying moment at moment
The cold tears of dew
In your body contained
And I drank,
I drank of your skin and of your beauty
And my wish of being a wolf
Into wolf it made me
And you white she-wolf of thick eyes
You did not wake up.
You are there
But you don’t exist

Escrevo porque escrevo,
escrevo por que sinto,
não sou árvore nem jardim,
apoteose ou clarim,
sou um simples arlequim
que escreve porque escrevo
e se solta para mim,
escrevo porque escrevo
sem doutos conhecimentos enfim,
sou um imberbe de poesia,
deserdado da rima,
mas é assim, ela solta-se e sai,
voa, rodopia e cai
e de novo escrevo porque escrevo,
me levanto e de passo inseguro prossigo
escrevo e não rodopio,
palavras buscando alegria
escrevo porque escrevo
letras soltas da minha fantasia.
SFSOUSA
Carnaval que de alegria me chega
e para outros céus me desperta,
esse sussurro de amor te agradeço
por em imaginação me ofereceres
este Carnaval que não me mereço
e neste sonho passageiro que respiro,
desse chamamento de amor me despeço,
enviando esta mascara
que a ti pertenceu e meu coração liberta
sfsousa

Por trilhos escondidos nos perdemos
Sem nunca nos alcançarmos,
Mas a lua que guia nossos corpos
Nos revela seus caminhos
E por momentos te deitas
Até que outra estrela acorde
E desperte meus sentidos,
De lobo á espreita em cada caminho,
Clamando pelo amor que enviado te foi
E que o teu uivo com a aragem da noite
Me seja devolvido
Pleno de chamamento
E de esperança renascido
sfsousa
De novo o silêncio
Chegando com a aurora,
Os corpos á espreita,
Os olhos movendo-se
Atropelando os sentidos
Que percorrem nossos corpos
Em ritmo de cavalgada alucinante
Na procura infindável
Da tua boca e dos teus beijos
Que se perdem
Em cada madrugada.
sfsousa
CABO VERDE
Saída do aeroporto e lá está a nossa guia, simpática como todos os locais, dirigindo-nos para essas carrinhas antigas com atrelados a recolher as malas, e lá vamos nas camionetas desengonçadas que nos surpreendem como ainda se vão conseguindo mover nesta noite negra e de luzes abandonadas, certamente terão imensas historias para nos contar dessas suas inesquecíveis viagens.
Primeiro dia, aproximação e surpresa pela beleza do que foi erigido em tão árido local, as pessoas simpáticas, a mesma língua nos acompanhando e assim lá fomos desenvolvendo conhecimentos, gozando em pleno os nossos corpos nessas areias brancas e águas tão límpidas, transparentes e insinuantes, reclamando nossos corpos para as suas ondas nos poderem beijar.
Resolvemos fazer uma viagem de reconhecimento ás miragens e olho de água e lá nos metemos ao caminho nos jipes alugados para o efeito e lá fomos cabelos desgarrados, um lenço para trás deixado, um boné que da cabeça fugiu e não parou, por lá ficou, quilómetros percorridos em terra batida sem nada em redor, as arvores e vegetação fugiram pois a água as abandonou, mas eis que em direcção ao mar, chegamos a um sitio belo de tão só, uma barraca de madeira isolada, vendendo suas cervejas de aparência fresca, africanos doutras paisagens, vendendo suas bugigangas e uma piscina artificial entre rochas vulcânicas esculpida.
As roupas despidas num ápice e sem muito pensar, de cabeça mergulhamos nesse mar azul e desperto, sentindo fervilhar a sua vida e a juventude deste país palpitando, lançando suas ondas de amor abraçar estas rochas perdidas no meio de nada.
Nesse caminho desbravado para ver as minas de Sal, os banhos nessa água tão densa que deixava nossos corpos em suspenso, flutuando, não conseguindo tocar o seu leito azul e denso, convivemos com alguns seniores que doutra ilha vinham, sobretudo da Ilha de Santiago, e com a facilidade imensa que a mesma língua vai acolhendo outras culturas e outras gentes, aí começamos a falar, trocar ideias, desejos e sonhos comungados por todos, nas promessas de um dia aí voltar, tocar de novos os olhares dessa gente e nos alegrar com seus olhos brilhantes de poder imenso apesar de terem quase tudo de nada.
Vimos casebres de zinco, casas desconexas e vilas de vidas adiadas por falta de possibilidades oferecidas, vimos gente, gente de sorriso nos lábios, de coração aberto, vendendo aquilo que conseguem inventar, para no outro dia carregar de novo os mesmos pedaços de nada e alegremente recomeçar.
Vimos crianças soltas brincando em união, no recreio da escola, as dificuldades para trás, rodopiando no ar uma alegria e esperança que contagia, um poder que nos abraça, uma vontade de conseguir vencer que a todos arrasta e sente-se que hão-de vencer adversidades, hão-de libertar seus sonhos e viver, viver com o encanto dessa esperança e verdade que carregam em seus olhos e nos seus rostos, e viver felizes…merecidamente.
Vimos saudade enquanto partimos, deixamos ais em vão repetidos, arrumamos os corpos e bagagens, e na quietude da viagem os pensamentos de todos se cruzaram e em uníssono o desejo de voltar ficou, cruzou os ares e se soltou… até um dia Cabo Verde…até um dia.
E amando loucamente
Nossos corpos fundidos
Por momentos de êxtase e prazer,
As garras despedaçando
Todos os sentidos,
Á espera do quente bafo da noite
Partilhamos… repetidamente,
Gestos naturais de amor e paixão
Que chegam perdidamente.

Deixa o amor entrar
Ele está a teu lado,
Na tua vida, nos teus poros
Deixa ele voar pelo teu corpo
Devorar cada lágrima, respirar teu sopro
Surgir em cada gesto
E tal estrela nos céus, entre muitas brilhando
O farol da razão, iluminará o coração
Desse amor a teu lado, bailando
Deixa-te levar por esse amor
Ao alcance da tua mão,
No aconchego do teu leito,
E perdoa
Se ele não sabe bailar
Mas levanta e voa
Pois sempre juntos
Mesmo entre tormentas
De ondas fortes e violentas
Alcançaras o rumo perdido
E Tudo…
Tudo fará sentido


Em suplicas me desdobro,
Á volta desta minha outra face
Que veste a pele de homem acossado,
Sem saber se me destino
Em ser lobo só e faminto
Alimentando-se da ilusão,
Dos sussurros da escuridão
Que teus raios de sol vão abrindo
Me regando com tua paixão
E tua liberdade,
E em paz jogo esta liberdade
De lobo sem destino
Ás imensidões das pradarias,
Nas estepes relegado
Deixando minha vida de lobo
Suspirando nossas mágoas
Sinto a cabeça estoirando
Em busca de pequenos olhares
Que não voltam
Porque te foste e te perdeste
E eu louco em desespero
Neste céu vermelho
De saudades e de ausências me dispo
E nestes dias sem paz, revisito meus carinhos
Soltando meus fados, de viagem em viagem prossigo,
Nesta semana de incontáveis quilómetros,
Apreciando essas paisagens belas e calmas das planícies ribatejanas,
Com o Tejo beijando suas margens e nelas misturando suas águas e suas dádivas.
Sigo mergulhado em cheiros indistintos, sonhando, com os olhos postos na estrada,
Apreciando aves que nesse céu brilhante, sós como eu, se perdem
Repouso meus pensamentos até que nova paragem me acorde e os meus sentidos despertem
E nesta paragem que se aproxima, cedo e sem cor, saio
Visto este meu corpo com outras auroras, com outras faces,
Dos sonhos me despeço e na vida recomeço,
Uma visita contabilizando e aí estou na crueza desta luta,
Onde os sonhos se desfazem e a realidade de mim toma conta,
Deixo que outros sentimentos me possuam,
Desmentindo minha emoção, contrariando meu coração,
Indiferente a qualquer sentido
Sigo carregando meu destino,
A realidade acabando surgindo, mas com a chegada a noite,
Entra nos meus lençóis de mansinho e em sonhos me consola
Depois de passadas algumas semanas, finalmente ganho coragem para postar um artigo que foi feito em 19 de Outubro quando se discutia o Tratado Europeu – ficou feito, na gaveta, envergonhado á espreita, mas hoje, apesar de tarde e podendo dizer-se em falta de contexto actual, mas para mim sempre presente e com a vida de todos nós arrepiada a cada dia que passa, e mesmo contra a minha vontade de escrever/postar prosa deste tipo, mas antes que o esquecimento tome conta, fica postado tarde, mas fica:
19 Outubro, dia memorável para a Europa, querida Europa,
Europa comandada por todos os tecnocratas que trocam de cadeiras, dançam entre si,
prometem favores e recebem outros, Europa de todos, mas só de alguns
e nós serenos, impávidos, mergulhamos nesta imensidão de mar e terra que é a Europa e nada … silêncio…palavras que contam, para quê??
Somos zero infinito do lado esquerdo dum decimal esquecido
– milhões de números de Europa desesperada, Europa dos cidadãos sem rosto,
Europa que não existe para nós, cidadãos de qualquer lado, a nossa parte jaz vencida,
foi vendida pelos nossos senhores, pelos grandes pensadores deste nosso pais
que nos vendem sem perguntar se queremos e constroem a sua Europazinha de Bruxelas,
de gabinetes luxuosos, secretarias elegantes, de champanhe com espumante, de favores imensos mergulhados em milhões de euros e a nossa Europa segue marcando passo, com milhões a lutar para sacudir o limiar da pobreza que se aproxima.
E oiço explicações incríveis dos senhores que noutros tempos a pedir votos andaram
para serem eleitos para essa espreguiçadeira dourada que dá pelo nome de Europa com tratado
e lamento a nossa falta de reacção quando dizem
“o tratado é tão complexo que a maioria das pessoas iria votar numa coisa que não entende”
Abrilhantam-nos a inteligência quando temos que decidir na hora do voto para as Legislativas,
Presidenciais ou Europeias, aí sim, somos inteligentes, o povo é sábio pois sabe bem em quem escolher e votar e não se deixa enganar … quantas vezes isto eu ouvi ?
Europa querida Europa para onde vais ??
Com gente que não se recorda do seu passado, que duvida da tua justiça, da tua coerência e do teu saber e facilmente esquece quem a mão lhe deu, a mão que o colocou nesse trono dourado, de luxos só para alguns, e assim te vendem não só a alma mas também a tua sabedoria, és povo e nada mais vales por momentos, és adulado por instantes, mas desse patamar não passas, és povo e povo deves continuar.
Recolho á minha toca
Com esperanças redobradas
Da primavera acolher meus desejos
E que com o seu despertar
Te possa trazer de novo a este nosso lar
E nesta nossa toca
Relembrar os cheiros desse amor
Que suspensos ficaram
Para essa onda imensa e suave que do outro lado do Oceano me chega e me penetra, clarificando meus sentidos, refaço essa onda na minha praia desfeita e a remeto para o outro lado deste Oceano imenso, levando em seu colo este poema, agora postado neste espaço que chegará a quem quiser nele voar:
Mergulho em teus sonhos siderais
E me extasio de felicidade
Mergulho em teus passos
E sigo teus caminhos
Mergulho na tua pele
Com sabor a rosas
E todas os teus aromas
Me trespassam
Mergulho em teus sonhos
E deles faço parte
Mergulho nas tuas vidas
E nelas me escondo
Mergulho no teu coração
E recebo tua bênção
Vagueio bêbedo de felicidade
Nesses teus olhos sem maldade
E sem forças navego
sfsousa
Esta vida é louca,
Lamentos vivos que sorriem,
Nos olhos de crianças em fuga
Como bandos de pássaros voando
Correndo atrás da vida
Que segue soçobrando
Vagueia só, está perdida
Esta vida louca
É vida que não sendo demasiada
É vida desabrochada,
Sentida
E pode ser vida amada,
Respeitada
Finalmente despertada
Bastando um abraço quente
E um ombro amigo
Uma palavra aconchegada
Ou um sinal não perdido
Um grito de esperança
Num alerta desejado
Um sorriso sincero
Carregando uma palavra amiga
E um pedaço de pão
Um olhar meigo envergonhado
Esperando uma carícia não pedida
Mas desejada
Se desfazendo num beijo apertado
Mesmo ao nosso lado
sfsousa