sexta-feira, 6 de julho de 2007

meu uivo


O vento passa cortante e frio

escondendo o teu cheiro e o teu uivo.

Estas adormecida nesse teu desfiladeiro vazio

os meus sentidos arrebatados

ao teu corpo esquecido.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

INDECISÃO


Vivo na loucura imensa de escrever ou não

Sinto meu corpo pedindo á mão que escreva

Mas sinto o coração dizer que não…

Estou na encruzilhada sem saber o que fazer

Escrevo ou não

Desiludo o meu lado que me pressiona

Ou deixo andar

Seguindo o outro lado que me sussurra

Para acabar com este sonho…

Mas penso e não sei…

Sinto o mesmo destino traçado

Deste lobo acossado

E desesperadamente perdido

Nesta noite fria de nevões chegando

E nessas tempestades me escondo

E por momentos assim fico

A ansiedade de escrever

Hibernando

E o novo despertar

… Esperando

segunda-feira, 25 de junho de 2007

meus uivos

Recolheste ao teu desfiladeiro uivando por outro lobo que a tua alma busque e a minha implorando se esvai como cometa largado em rastos de pequenas estrelas que lentamente se apagam e nessa viagem do brilho e silêncio penso nesse desfiladeiro que tão loucamente procuro e não encontro, ansiando por nova lua cheia e o teu uivo enchendo de novo os ares, arrepiantes e ai estarei perdido em qualquer lugar para uivar contigo e escutar de novo a tua alma em silêncio

sexta-feira, 22 de junho de 2007

meus uivos

Desperta a aurora, o sol aquecendo nossos corpos húmidos, nos faz recordar os gestos sentidos da noite, das carícias arrepiantes em cada pedaço percorrido no teu corpo implorando.
Renego a noite que em silêncio partiste me acorrentando a estas lembranças repetidas dum corpo em pedaços dilacerado.

terça-feira, 19 de junho de 2007

meus uivos

Sinto que do outro lado do silêncio outra alma perdida surgirá e despertará de novo este corpo ausente como se seu corpo fosse. Trará nas veias o seu uivo de silêncio e rasgará meu peito com rajadas de amor invadindo minhas veias, a sua alma alcançando a minha.
Mas o meu caminho não acaba aqui o meu abismo não terá fim, o desfiladeiro continuará a espera do meu regresso, mas esta noite, sim esta noite terei alguém ao pé de mim uivando juntos á mesma lua, quando o negro da noite de novo chegar.

domingo, 17 de junho de 2007

meus uivos

aqui vai o que tinha ficado escrito e também antes postado:


Oiço ao fundo um uivo cortando o silêncio da noite que nos acolhe em seus braços 
será o uivo doutro alguém que vagueia sem destino na noite que não acaba 
e em noite não se querendo transformar chama pela sua alma gémea algures perdida noutro lugar  
em desfiladeiros inacessíveis os seus gemidos são trazidos pelo vento 
e chegam com a força de um raio atingindo todos os meus sentidos - 
está perdida como eu é alma errante em busca do amor que não chegou, 
com o peito cansado de tanto uivar e à lua pedir o seu amor de volta das trevas da noite.
Olho ao longe e chegam lágrimas abençoadas do céu, 
lágrimas que correm sem medo mas não me sinto só 
o som do silêncio é o meu companheiro eterno 
esse uivo desperta meus sentido e coloca-me em alerta 
me consolando mas mostrando a parte visível do meu abismo 
Outro uivo sai das profundezas da minha alma mas será que alguém pode ouvi-lo ??? 
Ninguém.. certamente


sfsousa/olharomar

sexta-feira, 15 de junho de 2007

de todos os sonhos

Ontem tive um dia cansativo...viagem mas lá tinha que ser - encontrei uma cliente espectacular boa cara bom coração - admirei


hoje apetece-me de novo escrever e repor o que já tinha sido escrito e que a minha prima magoada por eu ter retirado deste meu canto de escrita sugeriu que de novo escrevesse o que pela cabeça passa voando e aqui vai... o inicio deste blog datado de Maio 2005:

Aqui me aventuro na tentativa de conseguir realizar a concretização de um blog ao qual todos possam aceder e eu escrever como sempre aquilo que vou sentindo. Começo esta nova experiência pela primeira das minhas tentativas na net:

Dou me sem querer a ouvir zeca afonso e deleito-me com lembranças de tempos idos e das emoções sentidas há anos atrás, das loucuras envolvidas, das mudanças inadiáveis e sinto arrepios de lembranças vividas em tempos já idos.... poemas fabulosos.... mas é tempo de acordar e deixar a realidade entrar e hoje sim hoje relembro uma primeira parte duma das muitas tentativas de poemas feitos, que o não sendo, para mim é sentido e eis que aqui vai:

Venham borboletas

Poisar no teu rosto

Belas e efémeras

Como amor de um dia

Que não chega a ser vida

Nem semente

Mas espera somente

outros em breve se seguirão...

de todos os sonhos1

o resto de 30 de Maio:
Venham borboletas
Tocar meu rosto
Mesmo efémeras
São fadas desejadas
Em sonhos esquecidas
Já não andam perdidas
São correntes de amor libertadas

quarta-feira, 30 de maio de 2007

A UM AMIGO - SÊ FELIX


Escrevo hoje o que ontem me ficou para este amigo que se foi mas que não partiu

29 de Maio de 2007

Hoje como habitualmente fui para o ginásio para cuidar do corpo e limpar a mente mas não estava bem, comecei a fazer alguns exercícios, as maquinas estavam lá, o corpo também, mas a cabeça não …voava por outros lados, as mãos suadas apertavam com força os movimentos compassados do corpo mas não… não podia estar ali, a tristeza chegava vestida de negro, pesada, cúmplice deste dia cinzento de Inverno mal amado e penso num amigo que ontem se finou, jovem… e a revolta no meu peito desfilava, eu não estava lá, precisava de algo escrever já que em silêncio as minhas palavras se ficaram.

Senti a revolta dos anos loucos da juventude dos atropelos cometidos, das danças inebriantes das trocas inocentes, dos festivais de verão acabando em noites sempre inacabadas e prontas a serem retomadas no próximo verão que chega como se nada se tivesse passado, senti o peso duma jovem geração louca como todas são, mas que viu amigos mais novos filhos de todas as mães caírem no desespero acossado do desejo de alcançar o inatingível e acabar inevitavelmente perdidos, dependentes da cura que não chega, dos horizontes cada vez mais pequenos, dos amigos que fogem, das mãos que não nos apertam e fogem, dos abraços que não pedimos mas sempre esperados, em cada dia as ilusões da juventude em vão criadas são cúmplices das loucuras, ardendo em nossos corpos, irreparáveis.

A um amigo que caminhou por todas as pedras destas calçadas que por elas caminhou perdido e desesperado finalmente tendo descoberto que a vida tem que ser respeitada, descobriu tarde essa lição que nos é ensinada por professor nenhum mas em vão tardiamente respeitada.

Eras amigo do amigo,

alegre até dizer basta,

alegravas a festa quando chegavas

mas caíste nas teias de lamentos idos,

de sorrisos perdidos,

de sexos de acaso,

nas aventuras sem sentido,

sonhos jamais lembrados

outros perdidos,

inocência reclamada

duma juventude desgarrada,

que a tudo se pegava,

querendo viver a vida a correr

pensando que a vida é demasiada

mas não pois a vida também se acaba,

maltratada nas ruas

nos becos perdidos escuros e sujos

das vielas onde ninguém vai,

dos bairros de lata,

dos gritos alarmantes em cada esquina,

dos policias sem farda,

perdidos,

o sangue nas veias explodindo,

a vida para o outro lado partindo,

mas ficas lembrado como foste,

amigo, alegre, honesto

e terás direito ao teu descanso

renascendo do outro lado

tal Fénix que te dará vida

a outros fogos resgatada

e nesse outro lado

amigos novos chegarão

para contigo privar

e companhia te farão

e aí estaremos,

outros corpos, noutras mentes

noutras coisas transformados,

mas sempre em alegria

e contigo ao nosso lado.

Revolta

Rodopio de ventos loucos

Vida a correr vivida

Em cada noite perdida

Alucinante juventude

De festejos demasiados

Revolta

Marcando teus medos

Vagueando fugias

Sem pensar se ficavas ou partias

Refém dos teus segredos

Revolta

Nesse corpo adormecido

Suave de riso contido

Moras aqui mesmo ao nosso lado

Teu sorriso sempre lembrado

Revolta

Foste louco bastante

Para a vida colocares

Numa roleta disparatada

De viver tudo ou nada

Revolta

Ocasiões de sonho recordadas

Para sempre guardadas

Lembranças boas iluminando

Teu corpo em descanso


Revolta

A tua madrugada acabou

A vida fugiu da tua mão

O dia nasce e já não volta

Bateu á tua porta e ficou

DEDICADO AO FELIX (ZE MANEL) A QUEM A VIDA FOI RESGATADA NO AUGE DA JUVENTUDE