segunda-feira, 22 de novembro de 2010

na vida....




A vida poderá pregar-nos partidas, mas o acordar da manhã seguinte
com estrelas cintilantes da noite ainda brilhando nas almofadas,
nos dará a recompensa desejada

sfsousa/olharomar
foto de José paulo andrade

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

na vida...



Na vida poderá haver dificuldades,
mas a sua ultrapassagem tornará a partilha mais aberta 
e os afectos mais ternos e doces

sfsousa/olharomar
foto de josé paulo andrade 

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

sonhos distantes (3)


Em desalento revejo minhas mãos
e nelas me maltrato e me penitencio
essas mãos que repartem este meu cio
desse amor fugidio, dilacerado

mas esse sonho repetido
iluminado
feito de sinais ardentes
não sei se teu será
é amor delicado
em fantasia realizado
é eternamente meu
em sonhos...regressará

Sfsousa/olharomar

domingo, 17 de outubro de 2010

sonhos distantes(2)



Em ausências me multiplico
nesses momentos
ao sonho arrancado,
me aproximo desse sonho
que quase toco
mas noutro sonho se desfaz
… em fogo

Sfsousa/olharomar

foto de Diana Cretu

terça-feira, 12 de outubro de 2010

sonhos distantes (1)


Vejo teu corpo em sonhos distantes
e desse céu me aproximo
vejo teus sinais de vontade
ardendo,
em suspiros de fogo te afago,
neste sonho que em fumo se desfaz
crescendo

sfsousa/olharomar
foto de: ubailmaycryub

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

melodias


Luzes brilhantes
no regaço deste jazz que solta melodias,
o saxofone de encontro ao pensamento

o amor a voar
agarra os desejos da noite e da boemia,

desfaz tabus e medos,
solta sua voz rouca
no doce calor que nos atropela

Sfsousa/olharomar
foto de Antonio Cravo

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

nuvens brancas de sedução


Os pássaros sussurram
seus cantares de desejo abraçados ao meu corpo
e no final da tarde vermelha,
violenta de quente e suor,
o ninho de amor leve e fresco
esvoaça o pensamento
em nuvens brancas de sedução

sfsousa/olharomar

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

...noite aconchegada


A noite é densa e aconchegada
como essa brisa que se soltou
quando abrimos os braços
entregamos o coração à lua
e a carne ao silêncio

amamos sem distâncias,
riso rasgado na boca
e na cidade ao longe,
as luzes brilhando,
gemem de prazer até que a noite acabe

sfsousa/olharomar

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

...sedução



a planície seca e sedutora,
errante e perdida no fundo dos nossos olhos,
espera pela noite e por nós,

mergulhamos nesta água que não castiga o corpo,
mas penetra e roça,
roça e define nossos corpos quentes da jornada
fazendo amor percorrendo nossos seios,
beijando nossas bocas,


nadamos…voamos
como os pássaros da planície,
voltando a casa pela tarde
sabendo que o amor ainda nos espera

sfsousa/0lharomar

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Alentejo..final de tarde




Mais uma chegada aportando o escurecer,
as luzes apagam seu brilho
e o silêncio é mais silêncio,

deitamo-nos à volta da piscina,
admirando a serenidade da água,
o voar dos pássaros em correrias de fim de tarde,

a brisa, sempre essa brisa seca e quente,
aconchegante por vezes
violenta quando quer mostrar ao seu vento quem define sua loucura,

sfsousa/olharomar

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Alentejo...renascer



Do ventre da terra seca e morta,
abrem-se gretas ressequidas com o suor dos corpos
que aqui largaram seu sabor e sua vida

com violência de espadas dirigem seu grito ao sol,
abrindo brechas e disparando em direcção ao céu,
são braços vazios,
secos de vida na terra que os venceram,

mas na extremidade das mortes,
surgem vidas renascidas
poisos de novas vidas que virão,
sempre,
repetidamente,
procurando nesta lonjura bravia e seca,
o descanso sereno da vida
e o seu eterno acordar

sfsousa/olharomar

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Alentejo...noite escura

É noite escura,
o céu à minha frente
desfila toda a sua sensualidade
nesta noite que para nós ainda não despertou

sigo as constelações que mais perto nos cercam,
 a ursa menor me seduzindo
e tantas outras me cercando,
a estrela polar enviando seu brilho e  luz
pestanejando sua sensualidade e cor
nos deixa arrefecer com este vento
que a planície rasga de amor,
nos trespassando na noite
com uma aragem leve e fresca
que o dia não permite

sfsousa/olharomar

domingo, 22 de agosto de 2010

Alentejo...sol vermelho


O ar morno corre na noite e na alma
serpenteia entre sobreiros despidos da sua virtude,
nus,
de cintura seca e imagens de sol vermelho

A lua esconde-se no fundo negro
onde brilham estrelas de intensidades distintas,
estrelas com a cabeça desperta
outras no silêncio inatingível da imaginação,
voam para nós
marcham livremente nesse céu infinito
onde nos atrevemos sempre a sonhar
a brisa toca-me morna de lampejos
sobre o meu corpo quente da noite
e a minha boca ainda vazia de beijos,

sfsousa/olharomar

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Alentejo...até amanhecer



As portas marcadas das entradas dos apartamentos
enrouquecem os nossos corpos doridos
que se deixaram levar na noite e nas estrelas
e amaram bravamente até esse infinito que nunca se alcança,
fazendo amor até amanhecer

sfsousa/olharomar

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Alentejo que o vento amacia


O silêncio continua…
como pode este silêncio viver
…oiço vozes das crianças dos vizinhos,
que agora despertaram para o dia.

Continuamos debaixo do toldo verde
que o vento amacia,
levantando e descendo
como se respirasse docemente
emprestando um pouco de sombra
nos refugiando dos raios impressionantes do sol
que continuam a tentar trespassar defesas
iluminando todo o nosso corpo com a sua claridade estonteante
e as palavras por muito simples que sejam
neste universo imenso da planície não conseguem dizer nada
só o silêncio
...que o vento amacia

sfsousa/olharomar

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Alentejo...




O calor aperta
oiço musica, escrevendo 
a quietude transporta meus desígnios da escrita
a musicalidade entra em meus ouvidos
e me obriga a escrever
 incentivando a não deixar os dedos descansar
este silêncio pesado nos remete ao nosso mais profundo intimo
reflectindo nas estrelas
que a noite há-de trazer,
voando nos seus sons e desejos reprimidos

sfsousa/olharomar

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Alentejo...




Existe um silêncio que o voar dum pássaro
por um ou outro momento quebra,
mas recolhendo à sua árvore e à sua sombra,
o silêncio penetra de novo
e nos leva a descansar o espírito
para lá do esquecimento

sfsousa/olharomar

domingo, 15 de agosto de 2010

Alentejo - um dia mais



Depois da caminhada
uma vista sobre a piscina,
vazia de gente, e nós dois,
só nós dois,
cúmplices deste descanso,
à sombra,
em frente à piscina que reflecte  ao sol
sua água límpida e transparente
e quando a visão se levanta,
a pradaria com alguns sobreiros
emprestando sua sombra à planicie seca e sem vegetação,
nos remete para outros lugares
de silêncios indómitos
convidando o pensamento a divagar
e a esquecer que o mal existe

sfsousa/olharomar

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Monte dos Arneiros - uns dias de descanso em pleno Alentejo





Monte dos arneiros – chegada a este monte alentejano, típico e rural para uns dias de férias e descanso com a minha Delfina, que sempre acumula este sossego e mo empresta na hora de retemperar forças e enfrentar nosso destino.

A noite está estrelada em céu negro,
miríade de estrelas nos acompanhando,
pintadas no firmamento,
presas aos nossos olhares
que fugiam dos corpos,

deitados nesta noite escura,
estendidos ao longo desta piscina
sensual,
debruçamos corpos e suores
roubados ao dia
fortalecendo o amor
é silêncio em melodia
que nos acompanha na noite
e seca de desejo a planície

sfsousa/olharomar

domingo, 18 de julho de 2010

esse corpo...


esse corpo
que as cores liberta
num belo arco-íris
de nuvem anunciada
vai chegando
nesses sons profundos
de corpo que baloiça
no compasso do vento,
transportando
tua vontade correndo
 juntando
teu sossego ao meu

Sfsousa/olharomar

terça-feira, 6 de julho de 2010

Foz


Quis sentir no corpo o poder das brisas e das marés, tropecei na foz do douro, eram cerca das 14:15 dum qualquer dia de verão.

O vento tocando as águas refreia a vontade do rio entrar no mar e parece que vai recuando sem a certeza do seu beijo ter tocado as águas verdes e salgadas.

Parei nesta avenida da Foz, poiso de quem quer não sentir, não pensar.
Olho as pessoas passando, a pé, de bicicleta, deixando o corpo voar e sentir esta maresia que sempre nos desflora, trazendo seu destino no vento.

Nesta beira rio, aproveito o silêncio das águas calmas e brilhantes, uma estatua ao fundo de asas recolhidas nos faz sentir porque não levantamos voo quando a dor nos abraça.
Os barcos estão refugiados noutro cais, do outro lado do rio e sigo a marcha cadenciada de alguém que passa por mim, em direcção à foz, até que não o consigo enxergar.

Os minutos passam, espero uma chamada que me acorde para a realidade e desbloqueie os sentidos.

Aqui faz calor, as gaivotas pairam sem esforço sobre o leito do rio e mo emprestam, como se ele fosse só meu e eu o tentasse agarrar na ilusão de poder colher os seus amores, as suas vidas desacompanhadas e enviá-los com esperança até à foz.

Paira uma sonolência que me obriga a fechar os olhos e a reviver o passado, sinto o corpo e a alma abertas, esperando que alguém me toque e me faça sentir, acordando dessa sensibilidade que nos imobiliza.

A praia ali tão perto e eu imóvel, sem conseguir lá chegar, é o vento que  não me deixa entrar no seu mar e me devolve ao rio, em ondas serenas e doces de marés adormecidas.

Serafim Sousa/olharomar

sábado, 19 de junho de 2010

Fecho os olhos lentamente... ...




Despertamos com a aurora
os nossos corpos suados
e de novo sonhando
o sopro dos corações
juntos de novo
batendo em crescendo
nos nossos peitos
e amando… amando
até que o amanhecer
de novo se deite
e se torne na noite
do novo dia que agora acaba

E eu e tu
de novo
se entregando fielmente
meus braços te aconchegando
o amor renascendo
já que mesmo amanhecendo
dum longo dia cansado
fecho os olhos lentamente
e a sonhar me deito acordado

Sfsousa
foto de Wojtek Aleksandrowicz

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Fecho os olhos lentamente..




Fecho os olhos lentamente
quero acordar de mansinho
gozar o prazer imenso
de cada carícia
de cada gesto
de cada momento
que esvaindo se vai
…tão brevemente

  sfsousa

terça-feira, 15 de junho de 2010

Fecho os olhos lentamente…




Fecho os olhos lentamente
respirando teu sopro
surgindo batendo no meu peito
mulher amada em meu corpo
desejada em meu leito

Não mais se acabe a noite
e que um sopro divino
contenha o favor dum Deus
que do Olimpo
meus anseios adivinham
o teu corpo descobrindo
e de pecado em pecado
iluminando meu caminho
percorrendo esse amor terno
a meu lado deitado
sofrendo devagarinho

sfsousa

domingo, 13 de junho de 2010

Fecho os olhos, lentamente


Fecho os olhos lentamente
na noite que agora começa
e para ti vivo
será hoje um sonho diferente
teu corpo nu buscando                   
tendo meu corpo presente
em teus braços se aconchegando
fecho os olhos lentamente


sfsousa

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Te recordo menina


Sorriem as minhas lembranças
de quando eras menina,
olhos vivos e brilhantes,
convicções fortes despertando
uma vontade imensa de aprender,
aqui estás tu,
com muita força e querer
o final de curso chegando

É um orgulho enorme
e impotência imensa
quando não consigo encontrar palavras
para manifestar o calor que sinto no coração

e te olhando,
te recordo menina,
com perguntas seguras
que me atrapalhavam
desejosas de resposta
ávidas de conhecimento

hoje és mulher e moça,
linda e brava Catarina
teu luar que começa neste dia
bebeu teu esforço, tua aplicação
sem queixume te entregaste à luta,
 sempre
e a luz que te persegue
sossega meu coração
…estás pronta para a viagem
e te recordo menina
em lembranças sorrindo

sfsousa