
quarta-feira, 15 de julho de 2009
O fogo final

domingo, 12 de julho de 2009
a musica e a alegria

Ao fundo o palco montado
esperando a actuação dum grupo de musica de baile,
sobejamente conhecido da maioria das pessoas,
de nome artístico Diapasão,
a praça ondulava com esse mar de gente
que bailava aqui e ali,
acotovelando-se e sorrindo,
enquanto outros chegavam com a pressa imensa
de se poderem lançar um passo de dança
antes que a música se acabe
E chegou imensa gente, pessoas de todos os lados,
gente de todas as profissões e estratos sociais,
todos dançando ou se mexendo, dando asas à sua alegria,
por momentos desprendidos do peso do trabalho ou obrigação,
dançando sem medo ou receio de se perder num passo de dança
ou trocar seus passos
…é a dança popular no seu melhor.
A música surgindo em catadupa,
cantor quase sem sossego e voz sem descanso
soltando essa música que entra no ouvido
e obriga o corpo a mexer,
embalando a vontade de dançar,
Nota-se em muitos casais a vontade de participar,
olhando-se nos olhos e movendo o corpo
como se seu corpo atraísse o outro corpo,
desejoso da dança e do movimento
Não escapando imune a esta magia e confusão,
agarro na Delfina com uma mão,
puxo seu corpo e rodopio no meio de tantos corpos,
encostando a minha cabeça à sua,
tentando acertar meu passo com a música e com o coração,
bailamos levemente enquanto a música toca,
os pés parecendo não tocar o chão,
os corpos aconchegados nesse amor
que nos agarra e funde
...até se acabar a canção.
Sfsousa/olharomar
sábado, 11 de julho de 2009
O cair da noite
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As pessoas regressando a sua casa,
esperam o cair da noite para de novo se largarem na rua
e desfrutar desta festa de encerramento com perspectivas de alegria no seu seio
e eis que a noite se aproxima,
as luzes e os arcos festivos iluminam as ruas que cercam a igreja matriz
e nos faz sentir que o dia roubou um dia ao seu descanso
e nesta data nos cobre de luz.
Todas as ruas convergem para o adro da igreja onde está o palco montado
e as barracas de venda de bugigangas, brinquedos e balões
animam a criançada,
as barracas de farturas e doces regionais
fazem as delícias dos adultos.
Mais longe os carrosséis rodopiam
em corridas psicadélicas e música estonteante
escondendo o barulho dos seus movimentos
e as crianças reclamando aos pais,
puxando das saias às mães
fazendo birras ou pedindo todo o tipo de atenção para poderem,
nem que seja por uma vez, rolar no carrossel de cores brilhantes,
que neste dia nos remete a outras vidas e passado de recordações.
No adro da igreja, perto da entrada da antiga casa paroquial,
uma tômbola tenta vender artigos oferecidos pelos paroquianos
na ânsia da angariação de fundos para a realização das obras da igreja,
que neste momento e com este pároco
começam a tomar forma e a serem realizadas,
na tentativa de recuperar os salões da Cripta,
palco de sempre das varias formas de cultura que despontavam na freguesia
e de intensa actividade cultural aí realizada,
até há bem pouco esquecida.
Sfsousa/olharomar
foto de Julio Lemos
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Outras faces da devoção

Chega a religiosidade terrena,
o palio albergando o padre e a divindade,
as pessoas se baixando, ajoelhando,
quando o discípulo do Senhor passa,
sua devoção demonstrando
numa clara manifestação de fé
e de respeito ancestrais
Um pouco atrás
as figuras representando as forças ditas vivas da freguesia e do concelho,
outras ainda tentando via eleições,
se acomodarem aos lugares públicos
e manter os seus rendimentos e tachos,
algumas definhadas,
mas tentando neste dia mostrar algum alento,
sobretudo os políticos já que as eleições autárquicas se aproximam
e há que se apresentar ao povo neste dia
para se tornarem notados e vivos,
na tentativa de anestesiar a memoria das pessoas,
mesmo que nos últimos anos se tenham sobejamente esquecido delas,
da vila, dos melhoramentos e da qualidade de vida,
e sorriem para o povo que cerca a procissão,
sorriem para um lado e para o outro,
para as pessoas que nas varandas das casas
vão acenando sem os reconhecer,
são sorrisos amarelos,
sem uma ponta de seriedade ou confiança,
sorrisos vazios de verdade e de esperança
e nesta mentira envergonhada
alguns pedroenses vão virando a cabeça e sorrindo
num gesto de desinteresse patente,
outros, saudando-os
como se a importância de estar perto dum politico
e manifestar qualquer tipo de cumplicidade e dedicação,
fosse o alfa e o ómega da sua existência.
A terminar surge a banda de música da terra,
com os acordes e melodia conhecida de todos,
sempre igual, nesta marcha repetida,
mas que sempre nos toca pois é a procissão da vila
e a homenagem ao nosso santo padroeiro
que uma vez por ano desperta
abraçando sua terra e sua gente,
recolhendo suas homenagens e suas dádivas.
A procissão passou e os santos recolheram ao seu refúgio,
cumprindo a sua obrigação de religiosidade e, se retirando,
voltam de novo ao seu sono celestial,
recuperando forças para receber os pedidos de todos os devotos
e poder em descanso eterno, voltar de novo para o ano,
com nova pujança e com nova esperança
que a humanidade dê a mão
e não desperdice sua vida e seu amor.
sfsousa/olharomar
foto de Karina Bertoncini
quarta-feira, 1 de julho de 2009
2009-06-29 noite lírica em S. Pedro da Cova
sexta-feira, 26 de junho de 2009
LUA....
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Que....
Que todas as manhãs acordem
Com sinais de esperança
ao final da tarde
Metade de mim
é poesia,
a outra metade
verdade
E a mulher que amo
ao longe
Sinta esta tranquilidade
Metade de mim
sendo vida,
a outra metade
é saudade
Sfsousa/olharomar
terça-feira, 16 de junho de 2009
MUNIQUE
sexta-feira, 5 de junho de 2009
LUA....
Lua cheia
de nossos tormentos,
albergando todos os ais,
Lua que não mente
Lua de recordações
De medos,
Lua minha
Estação perdida
Em meu espaço sideral
sfsousa/olharomar
quarta-feira, 27 de maio de 2009
flor de pétalas rosadas

sexta-feira, 22 de maio de 2009
QUE....
Que o amor
chegue de novo,
na romaria
de santos populares
em festa
metade de mim
é música,
a outra metade
me resta
Que os dias lembrados
de criança adormecida
venham ao teu colo
poisar
metade de mim
é noite,
a outra metade
despertar
Sfsousa/olharomar
sábado, 16 de maio de 2009
Vento...
Vento de um dia
Que não se acabará
Será vento bem vindo
Como o amor de uma lembrança
À hora da despedida
Será vento de mudança
De renascimento e vida
É tempo de dar as mãos
E juntos …caminhar
Ao futuro que há-de chegar
Como o vento destemido
Que volta sempre
Devagarinho …
Brevemente…
Sfsousa/olharomar
Um grande obrigado para todos os fotógrafos que me emprestaram as suas fotos que fui publicando ao longo deste meu blog, as quais tendo sido retiradas da net, muitas vezes de fontes anónimas, mesmo assim, a sensibilidade e a arte de quem tirou e que graciosamente me emprestaram esses seus jeitos de olhar as coisas e a vida, para eles todos um muito obrigado.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
QUE...
Que o sonho de ser eu
me aconchegue
Ao teu olhar
irrequieto
Metade de mim
é agua,
a outra metade
deserto
Que todos os ventos
de mudança
Se soltem
em gritos universais
Metade de mim
é mar,
a outra metade
teus sinais
Sfsousa/olharomar
segunda-feira, 11 de maio de 2009
LUA...
Lua de nuvem
ausente
De fogo
presente
nos amores amordaçados
És paz
formosa
em cada uma das tuas lágrimas
derramadas
Sfsousa/olharomar
sábado, 9 de maio de 2009
Que... (1)
Meu corpo
ansiando pelo outro meio
Como uma carta
jamais lida
metade de mim
é fundo,
a outra metade
perdida
Que o amor
se aproxime sem dor
e sem revolta
e deixe meu corpo
sonhar
metade de mim
é amor,
a outra metade
pesar
sfsousa/olharomar
domingo, 3 de maio de 2009
lua
Lua negra e só
Mãe de todos os amores,
E de todos os sonhos,
Mãe de todos os poemas de amor
Envergonhados,
És mãe de todas as súplicas
E de todas as esperanças.
És lua de raiva e ódio,
De lamentos e perfídias
De olhos loucos
De amor fustigados
Nos teus raios libertados
Sfsousa/olharomar
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Quando surges na noite...

Quando surges na noite, quando avanças
porque o som do batuque por ti chama,
teu corpo negro é chama que me inflama,
quando surges na noite, quando danças...
Quando danças, cantando as esperanças
e os desesperos todos de quem ama,
teu corpo negro é fogo que derrama
febre nas almas que repousam mansas.
Tu vens dançando (tudo em mim se agita)
e vens cantando (tudo em mim já grita),
quando surges em noite de queimada...
Depois, somos os dois, no mesmo abraço,
num batuque só nosso, num compasso
mais febril do que toda a batucada!
Poema de: Geraldo Bessa Vitor
quarta-feira, 22 de abril de 2009
De novo o vento

Vento volta
devagarinho
Beija
todos os corpos carentes
Secando
os males à tua volta
Nessa tua viagem
ardente
O mal
ficou noutra porta
E serás
vento de viragem,
serás
leito de todos os rios
aragem fresca
em verões sombrios,
serás finalmente
… esperança
serás
vento destemido
serás
vento de mudança
sfsousa/olharomar
sexta-feira, 17 de abril de 2009
GIRASSOL
Rasga a tua indecisão
E liberta-te.
Vem colar
O teu destino
Ao suspiro
Deste hirto jasmim
Que foge ao vento
Como
Pensamento perdido.
Aderido
Aos teus flancos
Singram navios.
Navios sem mares
Sem rumos
De velas rotas.
Amanheceu!
Orça o teu leme
E entra em mim
Antes que o Sol
Te desoriente
Girassol!
terça-feira, 7 de abril de 2009
sexta-feira, 27 de março de 2009
Vento…
quinta-feira, 19 de março de 2009
Viagem na noite longa

terça-feira, 10 de março de 2009
Porto – passeio nocturno

Sigo por essa beira mar,
rosário de pedras da foz,
guiando o rio Douro
que no mar se desfaz e se multiplica
e aprecio nesta noite em que viajo só,
com os meus pensamentos,
os contornos das casas e das pessoas transportam um seu quê de mágico,
é mais fácil na noite,
apreciar estes bocados de vida que por aqui passeiam
e imaginarmos historias nunca contadas,
pessoas correndo no calçadão
fazendo seu jogging da noite
fugindo das sombras implacáveis do dia,
madames passeando seu cão
e anestesiando seus sentidos,
vagueando sem pensar
ao sabor do vento e do puxar da correia na sua mão,
as ondas batendo de leve nos rochedos
quebrando o silêncio e lavando saudades.
Passo por barcos de pesca
de cores e formatos distintos,
parados,
numa e noutra margem da foz,
como se aguardassem um comando para partir,
dormem descansados,
sem ruído, equilibrados
e alinhados nesse mar que não se vê,
luzes reflectindo seus olhos na água que os embala,
caminho e vou descobrindo novas coisas
que parece que o dia não reflecte
e na noite se destacam,
as capelas,
a ponte luminosa que roubou seu pedaço ao rio
e por ele adentro entra,
a alfândega edifício de eventos memoráveis e pleno de historia,
a igreja de São Francisco,
o palácio da Bolsa,
a associação dos comerciantes do Porto,
a ribeira, mundialmente conhecida,
e tantos,
tantos recantos belos que por eles passamos
e atenção não prestamos,
as pontes que nos atravessam
e esse silêncio que a noite acompanha
as dezenas de pescadores
que nesta noite de segunda-feira
dedicam parte do seu dia a deitar a linha
ao longo deste paredão para colher seu peixe
e de novo o devolver ao rio,
num gozo pleno da pescaria realizada.
És assim Porto,
património da humanidade,
cidade minha, bela,
de contrastes imensos
e de valores sentidos,
verdadeiros,
sem retoques ou enganos,
esquecida por alguns,
tentada por outros
mas sempre nossa
sexta-feira, 6 de março de 2009
AMIZADE
domingo, 1 de março de 2009
VENTO (3)
sábado, 21 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
VENTO (1)
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
ESCUTO
Para aqueles ventos que nos tocam com aconchegos de verdadeira amizade, escrevo:
Escuto teus sons angustiados
Escuto sereias em migração
Escuto gente ferida
Escuto angústias e medos
Escuto guerras sem sentido
Escuto almas perdidas em vão
Escuto outros lados teus
Escuto jardins sem flores
Escuto cigarras cantando
Escuto luas com dores
Escuto gente inocente
Escuto gargalhadas reais
Escuto fomes e ais
Escuto guerreiros sem armas
Escuto políticos sem razão
Escuto crianças de armas na mão
Escuto vontades amordaçadas
Escuto pedidos em vão
Escuto discórdias de irmãos
Escuto todos os seres do mundo
Escuto canhões sem sentido
Escuto fome em muitos corpos
Escuto ajuda que não vem
Escuto avareza de quem tem
Escuto canções de embalar
Escuto sonos por acordar
Escuto outros ventos
Escuto muitos lamentos
Escuto homens sem vontade
Escuto países sem rumo
Escuto bonanças que não virão
Escuto continentes á deriva
Neste mundo sem razão
sfsousa/olharomar

















